[30.08.2006] O governo norte americano continua disposto a guerrear. Depois de três anos de guerra no Iraque, mais de dois mil soldados mortos e longe de uma solução pacífica o secretário norte-americano da Defesa, Donald Rumsfeld, afirmou que os Estados Unidos é “capaz de lidar com outros problemas caso ocorram”. Em outras palavras: “se tiver mais uma guerrinha para administrar pelo mundo a fora a gente tá nessa!”
Apesar do discurso belissista do secretário norte americano as Forças Armadas dos EUA dão sinais de sobrecarga, especialmente o Exército e o Corpo de Marines, que gastam dezenas de bilhões de dólares para substituir e consertar equipamentos. Alguns oficiais dizem que muitas unidades estão com sua capacidade de assumir novos combates reduzidos.
A constante pressão e os constantes e diários atentados tem deixado os nervos dos jovens soldados em frangalhos. Um famoso semanário aqui nos Estados Unidos noticiou na semana passada a situação de muitos combatentes no oriente médio que se tornaram alcoólatras e dependentes químicos para suportar as pressões psicológicas do “front”.
Rumsfeld que esbanja prepotência disse que não há dúvidas de que os EUA têm como obter uma vitória militar no Iraque. “A questão importante não é se podemos vencer. É claro que podemos. Não perdemos uma só batalha. Mas temos a disposição?”
Ora bolas... Se um exército que está em guerra, mas não tem a motivação para vencer a guerra, por que é que se meteu nesta encrenca?
Dizer que não perdeu uma só batalha não quer dizer que está ganhando a guerra. O Vietnam foi um vexame e os americanos foram derrotados depois de cinco anos que consumiu milhões de dólares e matou mais 55 mil soldados, e “sem perder uma só batalha”. Portanto toda a retórica de Rumsfeld tem somente um objetivo: manter a indústria bélica vendendo armas e os petroleiros no controle do petróleo iraquiano. O resto é resto, afinal guerra é um negócio altamente lucrativo para alguns setores da economia norte americana, mesmo que o país caminhe para recessão como apontam alguns analistas econômicos.
O que se vê é que a situação no Iraque só piora a cada dia. O governo americano faz a última tentativa de reestabelecer a ordem, diante da rotina do terror da combalida Bagdá. Milhões de dólares irão ser injetados na segurança da cidade. Se a freqüência quase que diária dos atentados não diminuir no Iraque a guerra civil será inevitável, o que representaria o caos definitivo.
Depois de um ano da passagem do furacão Katrina, New Orleans ainda não conseguiu voltar à rotina. Mais de 260 mil moradores ainda não conseguiram voltar para casa e cerca de 20 mil pequenas empresas não conseguiram se reerguer. New Orleans denuncia o descaso do atual governo norte americano com os verdadeiros problemas que afetam a maioria as populações de baixa renda e isto inclui, logicamente, os imigrantes que aqui vivem e que não têm o respaldo do sistema.•
*Estêvão Canfield é pastor da New Canaan United Methodist Church, uma igreja em células, em Elizabeth, New Jersey.É bacharel em Teologia e jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo.• |