[06.09.2006] Há um talento raro, o de dar corpo às palavras e torná-las palpáveis conforme ajustadas em História. Podem ser frases simples, porém é o grau de verdade e de caráter que a elas se agrega que as tornam mais consistentes. Palavras que devem soar sempre.
O Brasil pagou por muito tempo o fato de tentar-se calar palavras, em papel ou em vozes. Por muito tempo perdeu-se o hábito de se ouvir verdades, porque todas elas estavam presas em calabouços e cala-bocas.
Os artistas, estes de algum modo sempre expuseram as verdades, seja pelo resultado de sua obra, quando em si revolucionária, seja pela riqueza com que construíram códigos para que ao menos parte da verdade oculta então chegasse. Era fundamental uma boa dose de coragem e muito talento.
Não se pensa em Aldir Blanc envolvido em conchavos ou presente a rapa-pés em torno de uma bandeira qualquer. Sua raça é a daqueles que se comprometem com a justiça e, fundamentalmente, sem falso moralismo, prossegue lembrando quem somos, brasileiros pobres e alegres, e para onde podemos ir. O que defende, é certo, é a bandeira dos justos, com os mais inteligentes textos, com a mais refinada ironia. Esses justos estão nos botecos e ruas do subúrbio, o palco de sua obra, onde de fato a história do País acontece. O trabalho dele artista é imergir nesse mundo, respirar fundo e retornar à superfície, evitando aspirar o mesmo ar dos hipócritas da superfície, escrevendo para que todos leiam.
A homenagem desta coluna, por seus 60 anos completados no último dia 2, é publicar seu artigo, devidamente autorizado, para contar mais um pouquinho da história do Brasil. Aviso aos navegantes: não se deve calar jamais um poeta!•
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