[27.09.2006] Nunca é demais falar sobre um fato que embora nos provoca dor, nos faz ver o quanto não levam em conta os imigrantes, principalmente quando ilegais, embora para trabalhar não sejamos rejeitados.
5 anos nos separam daquele fatídico dia! Um dia sem luz quando nem mesmo o sol brilhou no firmamento.
A manhã de 11 de Setembro de 2001 jamais será apagada da mente dos que vivemos neste país. Foram muitas as vidas perdidas, famílias enlutadas, injustiças sendo cometidas, medo e terror rondando nosso dia-a-dia...
O ódio de alguns transformou a vida de muitos e em todos estes anos somente bombeiros e militares são enfatizados nas homenagens que são feitas.
As demais vítimas são apenas isso: vítimas.
Entre os sinistrados havia muitos latinos, muitos deles para infelicidade de inúmeras famílias não tiveram os corpos encontrados, se misturando com os escombros do desastre.
A indignação das famílias enlutadas vai além do impedimento de dar uma sepultura para seus entes queridos, é que em meio a tanta dor, até hoje não se sabe nem mesmo quantos ilegais desapareceram junto com as torres.
Algumas dessas pessoas nem constam das listas, cujo número oficial é de 2.749 vítimas fatais, não foram mencionados nem como mortos nem como desaparecidos.
A história de Fernando Molinar confirma os muitos casos da omissão, e do desinteresse das autoridades em encontrar uma justificativa para alentar as famílias.
Fernando trabalhava como "delivery" numa pizzaria vizinha às Gêmeas no momento em que concorreram os atentados.
Segundo Efe Joel Magallan, diretor da Organização Tepeyac que auxilia a comunidade mexicana em New York, investigando os desaparecidos não catalogados, Fernando não está nas listas oficiais.
Com 21 anos ele estava ilegal no país quando aconteceram os atentados e como foi dito sua história é igual à de muitos, o que coloca em dúvida a autenticidade da lista e a veracidade do número de desaparecidos, na prática a teoria mais uma vez é bem outra, o que nos leva a crer que jamais saberemos ao certo quantas vidas se perderam naquele dia.
Enquanto assistem as famílias de bombeiros e militares os demais sinistrados ficam no ostracismo, sem ajuda oficial, muitos deles sem condições de lutar pelo que chamam de direito Constitucional, pois por serem ilegais têm medo de reivindicar.
O direito daqueles que perderam suas vidas trabalhando não foi respeitado, não tiveram nem mesmo o direito de serem declarados mortos, pois não havendo corpos não há mortos.
De todas as partes do mundo chegaram doações para as famílias enlutadas, mas nenhuma doação veio acompanhada de um lembrete dizendo: "ajuda para as famílias de bombeiros e militares".
Mais de 100 famílias perderam o sustento com o desaparecimento de seus entes queridos, e nem por isso foram agraciadas com algum apoio financeiro.
Nora a mãe de Fernando, vive com a dúvida e o sonho de o filho possa estar vivo em algum lugar, apesar do tempo decorrido.
As autoridades alegam que para ajudar se faz necessário que as famílias provem se seus parentes morreram ou não nos atentados.
Pelo impedimento do acesso ao local para uma investigação, cabe às autoridades provar que os reclamados não se encontravam nas Torres naquela data.
Como a corda se rompe sempre do lado do mais fraco, não existe alternativa que aceitar a fatalidade, porque se insistir muito as famílias dos ilegais acabarão sendo deportadas.
O ódio dos que causaram tanta desgraça no seio de muitos, certamente receberá na volta do bumerangue o castigo merecido.
A ira destes fanáticos não ficará impune, e cada lamento dos familiares daqueles que perderam suas vidas, ecoará no coração dos familiares daqueles terroristas como um grito sem fim.• |