[01.11.2006] Estou atenta à indicação prestimosa e carinhosa. Todas as coordenadas e uma referência ao telefone. Meu amigo é uma grande alma. A travessia da grande água é necessária, como uma bênção protegendo de qualquer incerteza prévia à viagem.
As horas que transcorreram até a chegada foram reduzidas pela conversa amiga cheia de passado. O portal feio, ironicamente, avisa: chegamos! Um sinuoso arraial, essa cidade diverte-se jogando o vento frio em nossos rostos em sua recepção.
Como papel picado acumulado após uma comemoração, o casario desordenado e rebelde, contido pelas ruas, é limitado pelas calçadas de cerâmica vermelha, presente do poder público.
Suavemente a areia branca e fina digladia-se com a espuma gelada despejadas por ondas malevolentes e teimosas. A língua de areia toca as salinas apurando o sal desse ambiente.
Sobrepõem-se paisagens e praias diversas e águas azuis. Um estreito e, no ângulo certo, observa-se a espantosa beleza de água e rocha. Um Adamastor quase submerso mantendo apenas a cabeça de símio à tona, está à espreita do alto mar.
A tarde cai definida pelo vôo das gaivotas e o avanço do mar em sua busca contínua rumo à costa. Pontualmente o sol muda sua cor, com raios que se enveredam entre as nuvens densas que o limitam no crepúsculo nervoso.
Andei por Arraial para reconhecer em suas entranhas o ponto que a une aos seus visitantes. É difícil, talvez seja inexplicável, mesmo após o jantar cheio de molhos. Não localizei o ponto energético, a central de encantamento, que encontro em todos os lugares em que vou pela primeira vez. Contudo, comprovei a tese de todos os que me recomendaram este lugar: não basta ir uma vez, é preciso voltar.

O Brasil tem paisagens insuperáveis e cada descoberta revela-se uma encantada supresa, como a que nos apresenta Arraial do Cabo. O município fluminense possui um litoral recortado e característico por rochas. É uma cidade simples e, ainda felizmente, não invadida pela indústria do turismo. É atraente àqueles que gostam de explorar paisagens seja em terra firme seja pelo mar, à tona ou mergulhando.
Ao conhecer essa cidade, não resisti e escrevi a crônica abaixo, que é, também um convite, àqueles que ainda não a conhecem!•
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