[01.11.2006] As últimas eleições no Brasil foram marcadas por um misto de apatia e ceticismo. Votar em quem? Era a grande pergunta dos eleitores. Sem opção, muitos como eu, preferiram justificar o seu voto. Afinal votar para quê? As pesquisas já haviam decidido quem seria o presidente dias antes de os eleitores votarem. Esse negócio de pesquisa eleitoral tirou o prazer de votar. Não tem a menor graça, a gente vota no candidato que vai ganhar ou no candidato que vai perder.
As eleições foram marcadas pelas manchetes dos jornais nos últimos meses que se encarregaram de macular a imagem do presidente, então candidato. Mas nada aconteceu, o presidente se elegeu apesar de tudo o que foi falado do seu governo, inclusive da sua visível e indiscutível omissão diante da corrupção.
A atitude que deveria ter sido tomada não aconteceu. Infelizmente agora não se pode esperar mudanças. A república continua sendo democrática e o povo escolheu aquele que irá governar o país nos próximos quatro anos. Bem ou mal, Lula estará lá.
A imprensa fez o seu papel que é de informar. No entanto, a informação não mudou a cabeça do eleitor que preferiu acreditar na verdade do seu presidente. Coisas da política que ainda não tem explicação.
Ao que parece, a corrupção deixou de ser um problema para o eleitor médio, o que é um inequívoco retrocesso político. Ao que tudo indica, a conversa “eu não sabia”, misturada ao “sempre foi assim, mas nós apuramos”, emplacou. Até agora não há um só mensaleiro ou sanguessuga punido para valer, e pelo jeito tudo vai ficar assim mesmo.
O que assusta é o time que vai com Lula governar o nosso tão querido e sofrido Brasil: Sarney, Paulo Maluf, Jader Barbalho, Newton Cardoso, Fernando Collor, Renan Calheiros, Clodovil e outras figurinhas carimbadas. O que é que nós podemos esperar?
Fernando Henrique fez um ótimo primeiro governo. Se tivesse parado na primeira gestão teria sido lembrado como o presidente que controlou a inflação, expandiu o consumo. Lembra do tempo que o frango custava um real? FH foi reeleito no primeiro turno, a propaganda era: “o homem que deu um jeito na inflação vai dar um jeito no emprego.” Infelizmente, palavras são palavras, FH não deu jeito no emprego, e uma crise econômica afetou o resto do seu mandado. O Brasil mergulhou na escuridão literalmente. A alegria do pobre que começava a se sentir rico terminou da mesma maneira que o governo do professor de sociologia.
Infelizmente estamos sempre repetindo a nossa história. É o que diz a máxima: “Um povo sem memória repete sempre os mesmos erros.” Antes era o PT que usava este jargão hoje é o PMDB, o que me leva a crer é de que tanto o PT, PP, PSDB, PFL, PMDB é tudo farinha do mesmo saco.
É triste ver que o Brasil dos brasileiros é saqueado sistematicamente por uma casta que se reveza no poder e que a corrupção não é punida no rigor da lei.
O ex-ministro da Fazenda e deputado federal eleito, Antônio Palocci Filho, está entre os denunciados pelos crimes de peculato, formação de quadrilha e falsificação de documento público. Os promotores pediram a pena mínima de 225 anos. O ex-ministro teria participado de um esquema de fraude que teria desviado R$ 30,7 milhões dos cofres públicos. Dificilmente irá para a cadeia.
Segundo os analistas as previsões para o Brasil não são nada boas. A continuar neste estado de coisas, a menos que medidas sérias sejam tomadas para sanar a economia, o Brasil irá entrar numa séria crise. Mas, a exemplo do que aconteceu aqui nos Estado Unidos com Bush, onde poucos levaram a sério as previsões, a bolha, (figura de linguagem usada para definir algo inconsistente e vulnerável) estourou e o mercado imobiliário nos Estados Unidos ameaça desabar cumprindo as previsões dos analistas do setor.•
*Estêvão Canfield é pastor da New Canaan United Methodist Church, uma igreja em células, em Elizabeth, New Jersey.É bacharel em Teologia e jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo.• |