[29.11.2006] Permaneça no Senhor. A necessidade de permanecer fiel é ensinada pelo Senhor Jesus na parábola das Dez Virgens (Mateus 25.1-13) Jesus ao falar esta parábola deixa entender que nós cristãos precisamos estar preparados para a Sua Gloriosa Vinda. Para isso o Senhor nos deixou muitos exemplos um deles é a parábola do “Servo Vigilante” (Lucas 12.35-48) Além fica bem claro a necessidade do cristão não negligenciar a fé, e manter-se vigilante espiritualmente, pronto para a volta do Senhor. Orar e vigiar é de vital importância para se manter no caminho da salvação.
”Irmãos, se algum de entre vós se tem desviado da verdade, e alguém o converter, saiba que aquele que fizer converter do erro do seu caminho um pecador salvará da morte uma alma e cobrirá uma multidão de pecados” (Tiago 5.19-20). O apóstolo ao escrever a sua epístola está aadmitindo a possibilidade de alguém, “dentre os irmãos”, abandonar a fé e resistir à graça de Deus. Por isso ele escreve esta carta para encorajar os crentes a se manterem na Verdade que lhes foi revelada.
Decaídos da graça. Existe uma pergunta que freqüentemente nos chega aos ouvidos: Uma pessoa que conheceu a Jesus como seu Senhor e salvador pode perder a salvação?
Temos casos em que pessoas se rebelaram e caíram, preferiram voltar para os antigos hábitos e ao antigo senhor e com isso se desviaram do caminho da salvação.
Maria Antônia1 foi uma das muitas imigrantes brasileiras que vieram para a América tentar uma vida mais digna. Quando aqui chegou com seu marido e dois filhos enfrentou sérias dificuldades financeiras. Logo nos primeiros meses o marido arranjou uma outra mulher e a deixou sozinha com as crianças dentro de casa. Duas “amigas” a aconselharam arranjar um emprego de dançarina nos bares de “Go-Go Girl”* em Newark, New Jersey. Ela no começo relutou, mas depois da insistência e diante das próprias necessidades, foi tentar ganhar a vida no novo emprego. No primeiro dia no novo serviço, quando saía do bar, por volta da cinco horas da manhã, dois rapazes norte-americanos se aproximaram dela e lhe ofereceram uma carona. Sem desconfiar da terrível armadilha entrou na camionete com os rapazes. No meio do caminho eles tentaram abusar dela. Ela resistiu e foi jogada fora do carro a 80 milhas por hora. Teve fraturas múltiplas pelo corpo todo e como conseqüência ficou paraplégica. Um dos jornais de Newark fez uma campanha na cidade para lhe conseguir uma passagem aérea de volta ao Brasil. No dia em que iria embarcar ela tinha visto um anúncio de nossa igreja no jornal Brazilian Press. Ligou para mim para que orasse por ela. Lhe perguntei de que igreja ela era, e ela me disse que tinha sido crente há muitos anos atrás, mas que agora estava desviada. Lhe aconselhei que quando chegasse ao Brasil voltasse para Jesus. Só pude escutar os soluços do outro lado da linha. Sei que ela voltou para o Brasil, mas nunca mais tive qualquer notícia.
Acredito que existam milhares de imigrantes na América que estejam nas mesmas condições. Um dia foram crentes, mas agora diante das circunstâncias, das “facilidades” que o dinheiro oferece, estão longe dos caminhos do Senhor. Não devemos nos esquecer do que diz a Palavra de Deus: “O ladrão vem para matar, roubar e destruir.” (João 10 .10)
O fim de um discípulo amado. Judas era um homem que tinha muitas habilidades e virtudes. Certamente Jesus não fez a escolha premeditada de um traidor, mas um discípulo. Judas tinha muitas qualidades, assim bem como os outros onze. Ele tinha sido, junto com os outros discípulos, uma testemunha ocular dos milagres, prodígios e maravilhas operadas pelo Senhor Jesus. Mas depois de tudo o que ele viu e ouviu, preferiu trocar a sua posição de apóstolo por uma posição política e temporal aqui deste mundo. É muito difícil tentar explicar os motivos que estavam no coração de Judas. O que nós podemos deduzir numa análise superficial era que Judas era um homem com a mente dividida, isto é: ao mesmo tempo que ele queria, já no instante seguinte já não queria mais. Ele oscilava entre o bem e o mal, quando a sua fé foi colocada à prova, não teve raiz profunda para resistir a provação e sucumbiu. Ele cultivava pecado encoberto, não conseguiu erradicar de seu coração, o amor ao dinheiro, o ciúmes dos outros discípulos e o desejo de ser aceito, e por isso naufragou na fé. Tiago chama este tipo de pessoa de pessoa de “ânimo dobre”, ou seja, pessoas de mente dividida. (Tiago 1. 8)
A. B. Bruce, no seu livro, “A Escolha dos Doze”, diz que Judas não era uma pessoa única na história, aliás podemos encontrar muitos outros tendo características semelhantes as de Judas: Esaú, Balaão e Saul são alguns destes. Pessoas que num momento fazem uma decisão, mas que logo em seguida, diante das dificuldades, não conseguem permanecer e desistem. Nós em nossa igreja já vimos pessoas passarem por um “Encontro com Deus”. Ali receberam graça e a unção de Deus sobre as suas vidas, experimentaram o poder sobrenatural, mas passado algum tempo sucumbiram ao pecado e conseqüentemente atraíram a desgraça e a maldição eterna sobre suas vidas. A. B. Bruce diz que o “falso discípulo, Judas, era um crente sentimental, vivia iludido com as suas sensações religiosas, conhecia a aprovava o bem, mas tinha grande dificuldade de praticar o que falava. Era alguém que, no sentimento, na imaginação e no intelecto concordava com o que era amável, puro e santo, mas que, na vontade e na prática diária, havia se tornado escravo das paixões mais baixas e egoístas que tragicamente o levou para o irreconciliável caminho da perdição.” 2
O evangelho relata que Judas foi e entregou Jesus à morte, e depois de ter recebido o pagamento de trinta moedas de prata por este ato, foi e tirou a sua própria vida. Como é séria a questão de abrigarmos em nosso coração pecados encobertos. O pecado encoberto pode ser fatal na hora da provação.
A exortação de Hebreus é tremenda quando diz:
“Por isso é preciso que prestemos maior atenção ao que temos ouvido, para que jamais nos desviemos. Porque se a mensagem transmitida por anjos provou a sua firmeza, e toda transgressão e desobediência recebeu a devida punição, como escaparemos nós se negligenciarmos tão grande salvação?” Hebreus (2. 1-3a)
A salvação (operada pela graça) em Cristo é oferecida a todos os homens porque Ele morreu por todos os pecadores, pelo mundo inteiro.(2 Coríntios 5.14-15; Hebreus 2.9; 1 João 2.2). Mas somente aqueles que aceitam a Jesus em seu coração e perseveram até o fim é que serão salvos. É por isto que diz a Palavra: “Sê fiel até a morte, e dar-te-ei a coroa da vida.”
Aplicação Prática.O autor de Hebreus diz: “Hoje se ouvirdes a sua voz não endureçais o vosso coração.” Uma vez que você tenha aceitado a graça de Deus em seu coração permaneça firme nEle. É o próprio Senhor Jesus que diz: “Vigiai, pois, em todo o tempo, orando, para que possais escapar de todas estas coisas que hão de acontecer, e estar em pé na presença do Filho do homem.” (Lucas 21.36)
Se você tem estado longe procure voltar o quanto antes possível aos caminhos do Senhor. Não negligencie, não espere que a maldição e a desgraça se abata sobre a sua vida. Volte-se para o Senhor, enquanto é tempo. A Palavra diz que ele é como um pai que se compadece dos seus filhos e que é “rico em perdoar”.
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1. Nome fictício.
2 Bruce. A. B. A Escolha dos Doze. São Paulo. Arte Editorial. 2005. Página 331.
*Estêvão Canfield é pastor da New Canaan United Methodist Church, uma igreja em células, em Elizabeth, New Jersey.É bacharel em Teologia e jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo.• |