[13.12.2006] O comando da Aeronáutica espera por uma possível paralisação do sistema de controle do tráfego aéreo do Brasil a partir do dia 23. Este é um aviso para quem está indo passar o Natal e Ano Novo com a família. Previna-se!
Os controladores levaram os aeroportos do Brasil ao caos na última semana. No país de Lula, ora vejam só, agora são os militares que fazem greve ou quase isso. Os controladores dos aeroportos, que são militares, agiram no melhor estilo PT e resolveram boicotar, isto é, decidiram trabalhar dentro do esquema chamado “operação padrão”. Neste esquema, cada controlador deve trabalhar no máximo com seis aviões em sua tela de radar. É o mesmo que dizer: sobra avião e falta controlador. Os aviões que excedem a cota dos controladores ficam a deriva, na dependência da voz de comando para decolar ou pousar, que nunca chega para pânico dos aeronautas e passageiros. Como se é de esperar, as filas e o tumulto tem aumentado consideravelmente.
No aeroporto de Curitiba, no mês passado, a impaciência extrapolou e os passageiros chegaram ao ponto de invadirem a pista para protestarem contra os atrasos que ultrapassavam oito horas.
Conversava com um amigo que é piloto comercial e que trabalha para uma companhia de rações para animais em Arapongas, no Estado do Paraná. Ele me disse que esta questão do tráfego aéreo já esta caótico há muito tempo.
Buracos negros na Amazônia, falhas na comunicação de rádio sempre existiram. O fato é que o espaço aéreo brasileiro é muito grande e o risco de duas aeronaves se chocarem no ar é uma fatalidade. O acidente com o jato da Gol foi uma somatória de erros inacreditáveis. Embora, o número de aviões voando no espaço aéreo brasileiro tenha crescido muito nos últimos anos, o risco de choque entre dois aviões como o ocorrido com a Gol, quando morreram 154 passageiros, continua sendo muito baixo. A proporção é de um para cada dois milhões.
O que acontece nos aeroportos poderia se dar o nome de “motim”. Os operadores querem melhoria de salários. O salário de um controlador está em torno de mil e quinhentos reais por mês. Venhamos e convenhamos, é muito pouco diante de tão grande responsabilidade. São milhares de vidas que ficam na dependência de poucos homens expostos ao “strees” das desgastantes horas de trabalho. A forma de pressionar o governo é tumultuar os aeroportos, infelizmente, quem sofre são os passageiros e outros setores ligados coodependentes.
Nesta manhã, estava indo para São Paulo onde teria de fazer uma escala “maluca” de aproximandamente oito horas no aeroporto de Curitiba. No desembarque, perguntei para a comissária de bordo o que eu poderia fazer para antecipar o meu vôo. Ela me disse para procurar o despachante da companhia aérea ali mesmo. Em poucos minutos voltava à voar. No antigo itinerário teria somente duas horas para fazer o meu check-in, em Guarulhos e embarcar no meu vôo para Newark. Tinha o risco de simplesmente perder a conexão.
Agradeci à Deus e fiquei contente de ter perseverado e conseguido vencer este obstáculo. Quem persevera sempre alcança, já dizia o velho ditado.
Depois de algumas semanas no Brasil cheguei a conclusão de que não sou tão brasileiro como era há alguns anos atrás. Depois deste dias, fiquei com medo de viver no Brasil. Com certeza vou voltar qualquer dia destes, somente para rever os parentes e amigos.•
*Estêvão Canfield é pastor da New Canaan United Methodist Church, uma igreja em células, em Elizabeth, New Jersey.É bacharel em Teologia e jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo.• |