[14.02.2007] Quem é o homem? A Bíblia é um livro onde encontramos homens e mulheres que viviam em busca de Deus. Nenhum deles, exceto Jesus, foi perfeito. Embora eles não fossem perfeitos encontramos os sinais da graça de Deus presentes em suas vidas.
Dentre muitos, um homem que nos chama atenção é Davi.
Nos Salmos, Davi proclama a sua integridade moral. Em outros, proclama os seus pecados. Ele é absolutamente honesto e transparente. Fala de suas vitórias e também das suas derrotas.
Quando ouvimos parcialmente o seu testemunho ouvimos: “Deus me sondou o coração e me provou no fogo e iniqüidade nenhuma encontrou em mim. A minha boca não transgride. Os meus passos se apegaram às veredas do Senhor e os meus pés não resvalaram. Tenho guardado os caminhos do Senhor e não me apartei perversamente do meu Deus. Todos os seus juízos me estão presentes e não afastei de mim os seus preceitos. Também fui íntegro para com Ele e me guardei da iniqüidade. Tenho andado na minha integridade e confio no Senhor sem vacilar. Não me tenho assentado com homens falsos e com os dissimuladores não me associo. Lavo as mãos na inocência e assim ando ao redor do altar de Deus. O meu pé está firme em terreno plano”. (Sl 17.3-5; 18.21-23; 26.1, 4, 6, 12.)
Mas percebemos que Davi não era o super-espiritual quando ouvimos a segunda parte do seu testemunho: “Não te lembres dos meus pecados da mocidade, nem das minhas transgressões. Por causa do teu nome, Senhor, perdoa a minha iniqüidade, que é grande. Enquanto calei os meus pecados, envelheceram os meus ossos pelos meus constantes gemidos todo o dia. Porque a tua mão pesava dia e noite sobre mim e o meu vigor se tornou em sequidão de estio. Confessei-te o meu pecado e a minha iniqüidade não mais ocultei. Lava-me completamente da minha iniqüidade e purifica-me do meu pecado. Pois eu conheço as minhas transgressões e o meu pecado está sempre diante de mim. Pequei contra ti, contra ti somente, e fiz o que é mal perante os teus olhos”. (Salmo 25.7, 11; 32.3-5; 51.2-4.)
É verdade que por somos humanos e imperfeitos o nosso comportamento está sujeito a variar. No Novo Testamento, encontramos a mesma variação de comportamento em Pedro. No cenáculo, ele estava disposto a morrer por Jesus (Mt 26.35). No pátio da casa de Caifás, ele negou o Senhor três vezes consecutivas (Mt 26.69-75).
Seria pecado eu examinar a minha vida e descobrir que não encontro pecado dentro de mim que me acuse ou me envergonhe diante de Deus, mesmo da minha vulnerabilidade e da minha instabilidade, que existe a possibilidade de ainda cair no pecado?
A Bíblia diz “bem aventurado o homem que o Senhor não repreende.” Se temos pecado somos repreensíveis, se não temos pecado somos irrepreensíveis e a paz de Deus é sinal de que estamos em comunhão plena com Deus.
Muitos pensam que o pecado é uma fatalidade da vida. Algo que não pode ser evitado. E por isso ele passa a ser aceito de uma forma natural. No entanto, percebemos que isso é contrário ao ensino da Palavra de Deus. A Bíblia diz bem claramente que é possível viver sem pecar. O apóstolo João diz na sua epístola. “Aquele que é nascido de Deus não vive na prática do pecado. Em outras versões diz: “Não peca!”(I João 3.9)
Temos que aceitar que em Jesus temos toda a provisão de Deus para vivermos uma vida de santidade, ou seja, longe da prática do pecado.
Paulo na sua epístola aos Romanos diz: “Haveremos de pecar nós que morremos para o pecado?”(Romanos 6.2) Também diz “do pecado fostes escravos.” O tempo do verbo é passado. O escravo é alguém que, necessariamente, está sujeito ao seu Senhor.Quando aceitamos a Jesus trocamos de Senhor. Em Jesus fomos libertos e chamados para viver uma nova vida. Através de seu sacrifício pleno, suficiente e perfeito pelos pecados de todo o mundo alcançamos a redenção e a libertação definitiva do poder do pecado.
Então porque a Bíblia registra fatos negativos na vida de homens como Davi ou como Pedro? Isto tudo é para sinalizar a graça de Deus que busca, incessantemente, o pecador, e também para nos ensinar como devemos tratar com o pecado em nossa vida.
A experiência do salmista é a experiência humana. Revela as variações do nosso comportamento que oscila entre os momentos de vitória e derrotas, tudo porque não nos apercebemos das causas que nos tiram dos picos de exultação e da alegria e nos colocam nos vales escuros e sombrios da desolação e da tristeza. A graça é que faz com que Deus não desista de nós.
Ao examinarmos a Palavra de Deus podemos encontrar as causas que nos tiram do propósito para o qual Deus nos criou:1. Pecamos por não conhecermos suficientemente as Sagradas Escrituras e nem o poder de Deus.
2. Por seguirmos a inclinação da carne e não do espírito, nos colocamos a mercê das artimanhas do erro e do engano.
Há algumas armadilhas sutis que nos levam ao fracasso e a derrotas. Algumas que gostaríamos de destacar:
Euforia demasiada. Por sermos seres humanos e termos os nossos sentimentos e nossas emoções despertadas. Em muitas ocasiões estamos mais propensos e, diga-se de passagem, é muito mais fácil e cômodo, seguir as nossas emoções e as inclinações do nosso coração. A paixão romântica nos seduz e muitas vezes se transforma numa armadilha que nos induz ao erro e a quebra da nossa comunhão com Deus.
Falta de vigilância: O acomodamento espiritual. Quando nos sentimos bem, confortáveis nos acomodamos na nossa vida espiritual. Quando estamos em lutas e problemas oramos, jejuamos, buscamos mais a presença de Deus. Mas desde que a coisa esteja bem a nossa vida de busca e intercessão diminui. Pensamos: Afinal, não há motivo para tanto, não é? E com isso abrimos a guarda e conseqüentemente caímos. Nisso somos pegos de surpresa. Alguém disse que o diabo não descansa jamais. E a Bíblia diz que ele está sempre procurando uma maneira de nos pegar. É um simples princípio de causa e efeito.
Circunstâncias novas. A novidade é um forte apelativo. Somos seduzidos pelo novo. Amigos novos, lugares novos, novos ambientes e novas experiências. Ali, onde ninguém nos conhece e onde ninguém sabe quem somos, é muito mais fácil “soltar a franga”. Muitos que aqui chegam entram nesta síndrome. Querem fazer tudo que era “proibido” no Brasil. Há uma crise na identidade do imigrante que se distancia das suas raízes. “Aqui ninguém sabe de mim, e eu quero experimentar tudo que é diferente”, pensam eles. Infelizmente muitos que adentram esta caminhada se perdem e acabam em caminhos de destruição e morte.
No entanto, se você está na outra extremidade, no sentido inverso, do lado de baixo, entre a derrota e a vitória, você pode estar experimentando outras sensações bem diferentes das que citamos agora pouco, que apesar de não serem agradáveis podem ser sinais de esperança. Podemos identificar três atitudes que nos reconduzem a vitória e que são obra e graça do Deus misericordioso que nos ama incondicionalmente:
Tristeza. Apesar de não ser agradável é um sentimento legítimo do Cristão e é produzido pelo Espírito Santo de Deus. A Bíblia fala da nossa tristeza que é conseqüência da nossa quebra de relacionamento com Deus. O nosso pecado entristece o Espírito Santo que em nós habita. Podemos entender que este é um sintoma de que as coisas não andam bem na nossa vida espiritual. É um alerta para um perigo maior. Mas que deve necessariamente nos levar para um segundo passo.
Arrependimento. Significa voltar atrás. Não pode ser confundido com simples assentimento. Você pode concordar com Deus e com os princípios da Palavra de Deus, mas isto não quer dizer que você esteja arrependido do que fez. Lá no fundo você bem gosta das sensações produzidas por aquela situação de pecado. Arrependimento significa romper “com o pecado que tenazmente nos assedia.” É tomar uma posição radical, é não encobrir o mal, e nem ter dó de você mesmo, mas atacar o pecado de maneira drástica e definitiva. Enquanto acariciarmos o pecado em nosso coração ele dominará a nossa vida e causará morte. Depois de experimentar a tristeza e ter se arrependido, confesse.
Confissão. Confessar significa concordar com Deus nas atitudes e ações erradas que temos cometido. Confessar é dizer com os seus lábios acerca do mal que reside no nosso coração, é assumir aquilo pelo qual somos culpados parar de tentar de nos justificarmos procurando colocar a culpa sobre os outros e nas situações. Arrepender-se é dizer do profundo do seu ser, pequei e eu sou culpado. Quando seguimos os princípios da Palavra podemos desfrutar do perdão restaurador que a graça produ.•
*Estêvão Canfield é pastor da New Canaan United Methodist Church, uma igreja em células, em Elizabeth, New Jersey.É bacharel em Teologia e jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo. |