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Léa Campos
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VIOLÊNCIA SEM MEDO
Por Léa Campos . leacampos2000@bol.com.br

 

[14.02.2007] Em geral quem provoca o pânico ou pratica qualquer ato de marginalidade, não teme ser surpreendido ou ser preso, faz parte do jogo deles. Quando era repórter policial, me intrigava quando um delinqüente era solto e dois ou três dias depois estava de volta pelo mesmo delito. Uma vez perguntei a um que parecia ser inquilino da delegacia de Averiguações, pois sempre estava ali, o por que dele voltar, em poucos dias, após ser colocado em liberdade, e a resposta me deixou a pensar: “ Léa, aqui tenho abrigo, comida, roupa limpa, banho etc”. Perguntei: - E a liberdade? “ Para que me serve a liberdade se não consigo trabalho, moro na rua enfrentando tudo e todos, e ainda passo fome? Para ele era melhor estar preso que solto. Hoje estamos assistindo a uma violência incontrolável, a falta de segurança impera em todas as partes, já não é necessário ser rico ou famoso para ser seqüestrado, pobres e ricos são iguais perante os marginais.

O governo federal enviando tropas do exército para os estados com a intenção de inibir os ataques, não contribui em nada, pois é sabido que os soldados do exército são treinados para defender o país como um todo e não para enfrentar grupos de criminosos organizados . O fato ocorrido na semana passada quando o roubo de um carro terminou com a morte de uma criança de 6 anos, arrastado pela selvageria do ladrão de carro, que ao ouvir os gritos para parar acelerou ainda mais, quando uma testemunha conseguiu alcançá-lo e perguntou o que tinha pendurado do lado de fora da porta do carro, o assassino Diego Nascimento Silva respondeu: “É boneco de Judas”. O presidente disse não saber por que estão ocorrendo esses ataques selvagens não apenas no Rio mas em todo o país. Falta ocupação, trabalho e coragem para acabar com o discurso político de tirar o menor da rua,e fazer dessa promessa uma realidade.

O estatuto da criança e do adolescente precisa ser revisto e adequado para a realidade atual, a sociedade não pode continuar à mercê de menores que são orientados por marginais experientes. O refrão: “ Sou menor, e não posso ser preso”, tem que acabar. O menor de idade reivindica este direito mas não cumpre os deveres do próprio menor. Se os políticos se unirem seriamente, encontrarão meios de diminuir a marginalidade infanto-juvenil que impera no país. Ao invés de colocar estas crianças em presídios para menores, onde só podem estar por três meses, exatamente pela idade, dê-lhes ocupação profissionalizante como pena, assim saberão valorizar a liberdade e ao sair estarão prontos para enfrentar a vida de forma honesta.

Nos EEUU, os menores são acobertados pelo mesmo estatuto, já que este foi criado pela ONU, (UNICEF), entretanto quando o menor comete uma barbárie, é julgado como adulto, condenado, e durante sua reclusão aprenderá uma profissão com a qual se defenderá depois de pagar sua conta para a sociedade. Cada estado americano tem sua própria Constituição, ainda que seguindo os princípios da Constituição nacional, já que, o que é bom para eles é bom para o Brasil está na hora de dar autonomia aos estados brasileiros. Em outros países, como Guatemala, San Salvador, Panamá entre outros, o povo toma a lei em suas próprias mãos, o que tem diminuído muito os ataques à população. Não incito a revanche, mas alguma coisa tem que ser feita,delinqüente tem ser tratado como tal, não podemos ser complacentes com quem não nos respeita.

Informar é um privilégio, informar corretamente uma obrigação.•

 
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