[28.02.2007] A frustração americana por não encontrar no Iraque o que o presidente Bush gritou ao mundo, está colocando novamente em risco a paz mundial. Como ele mesmo disse “não preciso autorização de ninguém para invadir qualquer país”, provoca países como Irã e Coréia do Norte. Divulgado o relatório da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que abre espaço para sancionar mais duramente o Teerã, o presidente iraniano Mahmud Ahmadinejad, conclamou seu povo a resistir às pressões externas que exigem que o Irã renuncie a seu plano nuclear.
“Nosso povo resistirá em defesa de seu direito” disse Ahmedinejad. “Se demonstrarmos fraqueza diante do inimigo, suas expectativas vão aumentar, mas se nos unirmos eles terão que voltar atrás”. O ex-presidente Rafganjani, hoje líder do influente Conselho dos Guardiões, que zela pela lei islâmica no sistema político iraniano, manifestou em tom desafiante: “Eles não conseguirão o que querem pressionando o Irã, só criarão problemas para eles mesmos”. O representante iraniano na AIEA, Ali Asghar Soltaniech, garantiu não ter medo de ser atacado pelos EUA e advertiu: “Irã não é Iraque”. Segundo o documento da AIEA, Teerã desobedeceu a resolução aprovada pelo conselho de segurança (ONU) acelerando o programa de produzir urânio enriquecido (combustível nuclear) ao em vez de paralisá-lo.
A ONU adotou algumas sanções contra o Teerã, como a venda para este país de material usado em mísseis e armas atômicas. Irã alega que seu programa nuclear tem fins apenas pacíficos, mas os EUA e seus aliados suspeitam que a intenção daquele país é produzir arma atômica. O chefe da AIEA Mohamed ElBoradei defendeu a retomada do diálogo dizendo: “ainda há uma janela de oportunidade para que o Irã e a comunidade internacional voltem à mesa de negociações”. Será Irã o Iraque de amanhã? Se Bush colocar em prática tudo que lhe vem à cabeça é possível que ocorra uma invasão ao Irã, já que para o presidente americano o sim e o não só diferem na ortografia. O presidente brasileiro publicou na semana passada no Diário Oficial da União (22/02), decreto proibindo:“transferência de itens, materiais ou equipamentos que possam contribuir para pesquisa nuclear à república islâmica dos Aiatolás”.Mas se esqueceu de proibir a intermediação.
Dita decisão se deve a visita do presidente Bush ao Brasil em Março. Segundo Bush, Irã também faz parte “eixo do mal”, junto com Iraque e Coréia do Norte, de um lado o “bem” e seus aliados ocidentais, do outro o “mal” do fundamentalismo islâmico. Neste momento discute-se o futuro da humanidade. Estamos sob três ameaças: a nuclear, cujo poder está com as grandes potências incluindo Rússia e China, a explosão da pobreza, e a mão invisível do mercado. Os donos do mundo (EUA, China, União Européia e Rússia) querem controlar o resto, enquanto a pobreza, a fome e a super concentração de renda continuam dando as cartas na desordenada globalização.
No passado, temíamos que o comunismo controlasse o mundo, não aconteceu, mas dividiu o hemisfério terrestre; países acima da linha do Equador têm carta branca e poderão fazer o que quiserem. O resultado está aí, o Império do Norte ao invadir o Iraque chegou aonde queria, mas ainda quer mais, reconstruir e fortalecer o Iraque para ter apoio e invadir o Irã. E depois, qual será a próxima vítima? Será Coréia do Norte? Bush deixará a presidência em dois anos. Haverá continuísmo de invasões?
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