[15.08.2007] O sonho de muitos brasileiros que aqui chegaram é comprar a sua casa própria. Um sonho comum de todos nós, mas que tem se tornado o pesadelo de muitos. Uma casa de duas famílias é o alvo mais cobiçado. Aluga-se um dos andares e com isso o aluguel ajuda a pagar a prestação da casa. Mas o pesadelo é quando o dinheiro do aluguel não chega e o banco não espera.
Um amigo meu comprou uma casa na febre do mercado imobiliário. Alugou os dois andares e assim ficou na espera da valorização do imóvel para vendê-lo na hora oportuna. Iria fazer segundo os “experts” um bom “dinheirinho”. Mas aí começou o pesadelo. Os inquilinos pararam de pagar o aluguel por três meses consecutivos, o banco diante da inadimplência simplesmente veio e tomou a casa de volta, já que ele era o financiador.
No sobe um, desce dois, tira mais tanto por cento, a casa não valia mais o dinheiro que o banco havia se proposto a pagar. A conta veio alta e ele se viu em sérios apuros.
Este foi o drama de muita gente. Os preços da casa própria cairam muito e com isso a inadimplência inflacionou o mercado imobiliário. Nunca foi tão fácil alugar uma casa.
Depois de uma negociação com o banco ele, finalmente, conseguiu se safar desta mas com o crédito lesado pelos próximos três anos, no mínimo.
O mercado imobiliário é um forte índice de que algo não está bem na economia norte-americana. O consultor do FMI (Fundo Monetário Internacional) e ex-conselheiro do ex-presidente norte-americano Bill Clinton, Nouriel Roubini, deu uma visão pessimista sobre a economia dos Estados Unidos, em declaração ao programa “Roda Viva” da TV Cultura.
“Desde o último verão, me tornei muito mais pessimista sobre os Estados Unidos. Muitas das coisas sobre as quais eu me preocupava estão agora se concretizando - recessão no setor imobiliário e impacto sobre o mercado financeiro, além de uma forte elevação dos preços do petróleo”.
Para o economista, a questão é muito mais séria do que se pensa. Não são questões simples de administrar. Existem outros segmentos que se alinham dentro de uma perspectiva mais sombria como mercado de crédito. O mundo estava preparado para uma desaceleração suave nos EUA, não para um hard landing” (pouso forçado) da economia norte-americana”, afirmou o analista.
As bolsas da Europa e Ásia passaram por um período de turbulência por causa da crise no mercado de crédito imobiliário de risco nos Estados Unidos na ultima semana e que deverá continuar por mais algum tempo. O Banco Central Europeu (BCE) voltou a injetar nesta terça-feira 73,5 bilhões de euros no mercado para garantir a sua liquidez, apesar de um porta-voz do banco ter dito que a situação está voltando ao normal. Este foi o quarto dia consecutivo em que o BCE interveio para evitar uma crise de grande proporções nos mercados de ações. O banco já colocou um total de 200 bilhões de euros (cerca de R$ 450 bilhões) em circulação desde a semana passada. O mercado parece estar mais calmo agora no início da semana, mas permanece cauteloso depois dos registros de queda que aconteceram na última semana.
O problema do mercado imobiliário norte-americano é um problema de todo o mundo, tendo em vista de que tudo o que acontece na economia deste país afeta as demais economias do planeta. O que é ruim para os americanos e péssimo para os países do terceiro mundo que terão o seu crescimento afetado. Em resumo, o que é ruim para os imigrantes passa a ser ruim para os bancos e para a economia mundial.•
*Estêvão Canfield é pastor da New Canaan United Methodist Church, uma igreja em células, em Elizabeth, New Jersey.É bacharel em Teologia e jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo.• |