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19.09.2007 imprimir Imprimir
 

Crédito se expandirá mesmo que juros básicos deixem de cair

São Paulo - A ampla oferta de crédito no mercado e o alongamento dos prazos de pagamento nos últimos meses vão intensificar a disputa de financeiras e redes de varejo pelo bolso do consumidor no último trimestre do ano. O crescimento de 5,4% do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre, puxado pela demanda interna, e o aumento de 7,2% do rendimento médio do trabalhador, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), reforçam essa tendência.

"Mesmo que o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) interrompa a queda dos juros, a demanda pelo crediário vai continuar aquecida", diz o vice-presidente da Associação Brasileira dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel José Ribeiro de Oliveira.

Segundo ele, as taxas de juros menores atraem, mas não são determinantes na decisão de compra a prazo. "O consumidor está mais preocupado com a estabilidade no emprego e com o valor da prestação na hora da compra", diz.

O diretor-executivo do Bradesco, Paulo Izola, dá a medida do interesse pelo crediário. "Entre dezembro de 2006 e julho a oferta de crédito para a pessoa física cresceu 17%", diz. Ele prevê um crescimento de 27% até o final do ano. "O Natal não será afetado pela crise internacional e nem pela suspensão no corte dos juros. Não há a menor possibilidade de alteração na rota da expansão do crédito até o fim do ano", diz Fábio Silveira, sócio da RC Consultores.

Os planos das empresas para seduzir quem pretende parcelar compras e despesas de fim de ano começam a ser arquitetados. A financeira Losango, por exemplo, lança em breve uma conta corrente voltada para depósitos e empréstimos para o consumidor de baixa renda. A financeira Itaú CBD, voltada para a carteira de clientes do Grupo Pão de Açúcar, vai investir em prazos e planos diferenciados e aumentar as promoções nos cartões de crédito.

Nas grandes redes de supermercados, o cartão é estratégico para conquistar o consumidor e no reforço da oferta de crédito. O Wal-Mart, por exemplo, estendeu o parcelamento no cartão da rede para até 24 vezes, com juros de 4,25% ao mês. No ano passado, o prazo não ultrapassava os 18 meses. "Os financiamentos estão com crescimento de 20% em relação ao ano anterior", diz o diretor de crédito da rede, Givaldo Marinho.

Os cartões com prazos esticados, o crédito consignado e o financiamento de veículos são as categorias de empréstimo que mais crescem. Dados da Anefac, com base nos números do Banco Central, mostram que até julho o crédito consignado para o consumidor cresceu 21,9%, enquanto o financiamento em cartões de crédito subiu 20,3% e o de veículos, 13,7%. "O crédito direto ao consumidor teve um aumento de 20% em relação a 2006. Mas nos empréstimos pessoais o crédito consignado é o destaque, com prazos de até 60 meses. No ano passado eles não passavam de 34 meses", diz o presidente da Losango, Henrique Frayha.

 
 
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