"Meu filho deve R$ 5.000", diz mãe de homem que tentou invadir Planalto
Sem dinheiro, o agricultor Ângelo de Jesus mentiu para a família ao dizer que precisava entregar alguns exames médicos em um hospital de Salvador e viajou mais de 1.500 km até Brasília para pedir R$ 5.000 ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Meu filho deve muito na praça", disse a aposentada Maria Terezinha de Jesus, 69, que mora em Saúde (374 km de Salvador).
Na última segunda-feira, Jesus deixou a casa modesta onde mora com sua mulher e quatro filhos, em Caraíba, distrito de Pindobaçu (BA), e foi para Jacobina (BA). Vestindo apenas camiseta, calça e chinelo, o agricultor pediu dinheiro na rodoviária de Jacobina para prosseguir a sua viagem.
O último contato do filho com a sua mãe aconteceu dois dias antes de tentativa de invasão ao Palácio do Planalto, quinta-feira pela manhã. "Ele me disse que estava na rodoviária de Brasília e que a sua vida iria melhorar porque ele iria pedir R$ 5.000 ao presidente Lula."
Até três anos atrás, Ângelo de Jesus sobrevivia comercializando carne bovina na feira de Pindobaçu. "Ele comprava bois fiado, matava, vendia a carne e, somente depois, pagava os seus fornecedores", disse Valdemar Rodrigues de Almeida, 59, que mora a menos de um quilômetro da casa de Jesus. "De uma hora para outra, ele deixou de pagar pelos bois e a sua dívida aumentou muito."
Almeida diz que Jesus foi "encostado" pelo INSS depois de sofrer uma queda de um cavalo. "Ele caiu e o cavalo pisoteou o seu rosto e os braços, o que dificultou os seus movimentos", disse. No segundo semestre do ano passado, segundo familiares, Jesus passou a conviver com outro problema de saúde, a hanseníase.
Há duas semanas, sua mãe o visitou em Caraíba. Ela disse que percebeu "problemas de cabeça" em Ângelo de Jesus durante as duas horas em que esteve em sua casa. "Às vezes falha o juízo e ele fala besteira. Mas, quando a memória volta, ele fala tudo certinho."
A tentativa de invasão ao Palácio do Planalto mudou a rotina da pacata Saúde. "A cidade é muito pequena. Quando as pessoas viram a reportagem na televisão, muita gente veio falar comigo", disse a prima Elizabete de Jesus.
Ontem, a mãe do agricultor aguardava com ansiedade um contato do filho. "Fiquei nervosa quando soube o que ele fez, mas, agora, estou mais calma. O presidente Lula é um homem muito bom e vai ajudar o meu filho."
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