O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu nesta terça-feira em Nova York a 62ª Assembléia Geral da Organização Nações Unidas (ONU) com um apelo aos líderes mundiais para que tomem medidas mais efetivas para combater o aquecimento global. Sempre mantendo o foco na questão ambiental, o presidente brasileiro voltou a bater na tecla dos biocombustíveis como alternativa menos poluente ao petróleo. Prometeu implantar um controle que impeça a degradação do ambiente pela produção do etanol e do biodiesel, e ainda ofereceu o Brasil para sediar um novo encontro sobre a questão ambiental, nos moldes da Eco-92 realizada no Rio de Janeiro.
Logo no início, Lula convocou os países mais ricos a dar o exemplo no combate ao aquecimento do planeta. "O mundo não modificará sua relação irresponsável com a natureza sem modificar a relação com o desenvolvimento e a repartição das riquezas", afirmou. "Cada um de nós deve assumir nossa parte nessa tarefa. Os países mais industrializados devem dar o exemplo. Têm que fazer o que assumiram em Kioto. Mas isso não basta. Precisamos de metas mais severas", disse Lula.
Zoneamento – Confrontado há algum tempo com acusações de que as lavouras destinadas à produção de biocombustíveis podem provocar um desequilíbrio ambiental, Lula anunciou aos chefes de estado presentes que pretende desenvolver um zoneamento para definir onde estas plantações poderão ser feitas. "A cana de açúcar ocupa apenas 1% de nossas terras cultiváveis" disse.
Na ONU, Lula discursa em defesa do meio ambiente
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Ele também prometeu que tanto o álcool quanto o biodiesel brasileiros serão negociados no mercado internacional com um selo garantindo as qualidades sociais e ambientais do combustível. "É plenamente possível combinar biocombustíveis, preservação ambiental e produção de alimentos. Daremos à produção de biocombustíveis todas as garantias sociais e ambientais", afirmou Lula.
Conferência – O presidente também propôs a realização ,em 2012, de uma nova conferência internacional para discutir a questão ambiental. "O Brasil sediou a conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento e Meio-Ambiente, a Rio 92. Precisamos avaliar o caminho percorrido e estabelecer novas metas. Defendo em 2012 uma nova conferência que o Rio se propõe a sediar, a Rio+20", afirmou Lula.
Para não perder o costume, o presidente aproveitou a oportunidade para fazer propaganda de seu governo diante dos líderes mundiais. O desempenho da economia do país e os programas sociais como o Bolsa Família e o Fome Zero tiveram mais 15 segundos de fama sob os holofotes internacionais.