Brasil encara fantasmas para ir à final da Copa do Mundo
Hangzhou, China - Enfim, o grande encontro, e com jeito de revanche. Três anos depois de perder a medalha de ouro da Olimpíada de Atenas para os Estados Unidos, a seleção brasileira de futebol feminino tem na quinta uma ótima chance de se vingar do seu algoz. Num duelo que envolve rivalidade e charme, as duas equipes medem forças na cidade de Hangzhou, valendo vaga na final da Copa do Mundo Feminina, contra a poderosa Alemanha.
A partida começará às 9 horas (de Brasília), mas o clima esquentou muito antes de a bola rolar. O técnico dos Estados Unidos, Greg Ryan, tratou de apimentar o duelo no início da semana, dizendo que está preocupado com o excesso de faltas que as brasileiras deveriam cometer. O treinador do Brasil, Jorge Barcellos, abandonou a diplomacia e afirmou que a resposta virá em campo, sugerindo que o colega fale apenas de sua equipe. E disse que a seleção brasileira foi prejudicada pela arbitragem num amistoso disputado três meses atrás - os EUA venceram por 2 a 0, no Giants Stadium, com gols de Kristine Lilly e Abby Wambach.
"Não me preocupo com o adversário. Quero apenas que a minha equipe jogue bem", declarou Barcellos, ciente de que a equipe precisa de muita concentração durante os 90 minutos para chegar pela primeira vez a uma final de Copa do Mundo. Exigente, o treinador não quer que se repitam os erros cometidos no jogo contra a Austrália, válido pelas quartas-de-final, quando o Brasil ganhou por 3 a 2, mas falhou bastante na zaga, fato que não acontecera na primeira fase da competição - quando a equipe venceu os três jogos, com 10 gols marcados e nenhum sofrido.
Brasil está na final da Copa do Mundo Feminina
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"Espero que o público veja um futebol alegre. Não estou pensando em vingança, e sim que haja um bom espetáculo em campo" diz Barcellos. Tudo leva a crer que ninguém sairá do estádio insatisfeito. De um lado, o poder ofensivo do Brasil, regido pela brilhante Marta. Do outro, o futebol eficiente dos Estados Unidos, que não perdem há 51 jogos, são bicampeões mundiais e olímpicos e contam com um trio perigoso, formado por Lilly, Wambach e Heather O'Reilly. "Essa partida vai ser muito disputada", previu Ryan.
Tal equilíbrio não existe em relação ao retrospecto dos confrontos dos dois países. Os EUA ganharam 19 dos 22 duelos com o Brasil, sendo dois em Copas do Mundo - 5 a 0, em 1991, e 2 a 0 em 1999. A lista não inclui o jogo de julho, no Maracanã, quando o Brasil sagrou-se campeão dos Jogos Pan-Americanos ao golear por 5 a 0 uma equipe americana formada basicamente por universitárias.
Agora, é para valer. "Vou colocar as 11 em volta da Marta", brincou Ryan, certo de que ela pode atrapalhar a vida do seu time. "Ela torna o Brasil mais perigoso."