Soldados voltam a reprimir manifestantes em Mianmá
Rangum - Forças birmanesas de segurança voltaram a reprimir manifestantes ontem em Rangum. Soldados dispersaram protestos, ocuparam importantes monastérios budistas e cortaram o acesso público à internet.
As novas medidas alimentaram temores de que esteja prestes a se intensificar a campanha de repressão iniciada nos últimos dias e que já resultou na morte de pelo menos dez pessoas.
As manifestações de ontem reuniram cerca de 2.000 pessoas em Rangum, a maior cidade do país. Os soldados lançaram bombas de gás lacrimogêneo, dispararam para o alto e usaram cassetetes para dispersar os manifestantes. Pelo menos cinco pessoas foram detidas, disseram testemunhas.
A atual onda de manifestações começou em agosto, por causa do aumento do preço dos combustível, e ganhou corpo na semana passada, quando monges budistas passaram a exigir uma retratação da junta militar que governa o país por causa de maus-tratos a um religioso em um protesto recente.
O isolamento dos monastérios budistas pelos militares parecia ter como intenção tirar os religiosos das ruas. Os monges são reverenciados pelos birmaneses comuns e eventuais agressões a eles poderiam jogar a população contra a junta.
O governo militar admite que pelo menos dez pessoas morreram. Como a presença de jornalistas estrangeiros é proibida em Mianmá a apuração de números mais precisos é bastante complicada.
Bob David, embaixador da Austrália no país, disse ter ouvido relatos segundo os quais o número real de mortes seria "muito maior" do que o oficial. |
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