ACABOU O SONHO, NÃO A ESPERANÇA
Por Lea Campos
Depois de vencer e convencer, impondo-se pelo placar 4X0 frente a poderosa seleção de USA, e ver como Alemanha se transformava na próxima adversária ao vencer a Noruega pelo placar de 3x0, a esquadra de Marta entrou em campo com a bandeira verde-amarela no coração, o desejo de ser campeã na cabeça e o futebol nos pés.
Brasil não se intimidou frente a detentora do título anterior e desde o principio buscou o gol se fazendo presente na área adversária arriscando sem medo e jogando abertamente enquanto Alemanha jogava com 11 defendendo tinha sempre três marcando sobrando uma para sair com o rebote.
As canarinhas tiveram mais chances de marcar mas não puderam aproveitar, mesmo com jogadas individuais não foi possível derrubar a melhor goleira do torneio que levou para sua terra o recorde que estava em poder do goleiro italiano Walter Zenga desde a Copa de 1990, ao manter-se por 517 minutos sem levar gol, Daniela tentou fazer o gol e quebrar o recorde mas nada deu certo na manhã de Domingo.
Foi com esse ferrolho que as alemãs ajudadas pela árbitro (Tammy Ogston da Austrália) do jogo que desde o início mostrou para quem pendia, conseguiu marcar o primeiro gol, aproveitando-se do enorme buraco no meio da defesa brasileira.
O nervosismo era notado por todos, Marta num belo ataque foi jogada no chão dentro da área e o penalte foi marcado, a emoção de Marta e a responsabilidade de poder igualar o encontro fizeram com que a goleadora da Copa (7 gols) perdesse o gol que poderia ter mudado a história do jogo.
Perdemos a chance de fechar a temporada 2007 com louvor, mas não perdemos a esperança do ouro nas próximas olimpíadas.
Marta, melhor jogadora do mundo, considerada a melhor jogadora da Copa, leva na bagagem a Chuteira e a Bola de Ouro, ficando a Bola de Prata em poder da alemã Birgit Prinz e a de bronze para Cristiane com 11% dos votos contra 17% de Prinz, enquanto Marca abocanhou 51% da preferência dos jornalistas presentes.
A atleta Abby Wambach (USA) levou a Chuteira de Prata enquanto a norueguesa Ragnhild Gulbrandsen ficou com a de bronze.
O Fair Play foi entregue a Noruega, enquanto a FIFA fazia seu selecionado:
Goleiras: Nadinne (Ale), Bente (Nor); Defesa: Li Jie (Chi), Herstin (Ale), Ariene (Ale) e Ane(Nor); Meio
Campo: Daniela(BRA), Formiga(BRA),Kelly (Ing), Renate (Ale), Ingrild (Nor) Lilly(USA); Atacantes: Lisa(Aus), Marta(BRA), Cristiane(BRA),Prinz(Ale).
Perdemos a batalha, mas a guerra continua, não apenas dentro das quatro linhas como também fora, o governo e os mentores do futebol no Brasil precisam entender que o futebol feminino é uma realidade mundial e precisa de apoio.
Os títulos provam que urge elaborar campeonatos estaduais e nacional, já não se trata de brincadeiras.
O 4º Simpósio FIFA de Futebol Feminino encerrado dia
29 em Shanghai com a participação de 500 representantes de 200 assossiados trouxe como maior reivindição da entidade máxima do futebol, a criação de oportunidades sólidas para meninas que queiram iniciar uma carreira futebolística.
Blatter mostrou interesse em aumentar de 10 para 20% a percentagem mínima obrigatória dedicada ao futebol feminino, dos fundos que a organização coloca à disposição para desenvolver o futebol feminino com profissionalismo, mas para que isso ocorra é preciso que os dirigentes que ainda não levam a sério o futebol feminino o façam, nossos dirigentes precisam ver o futebol feminino e as mulheres árbitros com mais seriedade, assim como as meninas que queiram ser parte desse entorno precisam respeitar o futebol e ver a profissão com pudor e não como vitrinas alheias ao meio.
Para Marta uma mensagem: você foi perfeita, perder penalte faz parte do jogo pergunte a Zico, Rivelino, Ronaldinho, Roberto Baggio e outros cobras como você.
Informar é um privilégio, informar corretamente uma obrigação.
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