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03.10.2007 imprimir Imprimir
 

Chegada de refugiados mexicanos causa polêmica no Canadá

A chegada nas últimas semanas ao Canadá de quase 300 mexicanos vindos dos Estados Unidos em busca de asilo está causando alarde pelo temor de que isso seja o início do êxodo de milhares de pessoas, apesar de algumas organizações se mostrarem céticas quanto à gravidade da situação.

Nunca tínhamos experimentado nada assim, pelo menos desta magnitude", disse o prefeito da cidade canadense de Windsor, Eddie Francis, durante uma entrevista à agência Efe.

Windsor, uma cidade mais conhecida pela indústria do automóvel - está separada de Detroit (EUA) pelo rio do mesmo nome -, por seus cassinos e por sua vida noturna, se transformou nas últimas semanas no ponto de chegada de cerca de 300 famílias mexicanas e haitianas, que solicitaram asilo ao Canadá.

Autoridades canadenses e grupos que trabalham com refugiados disseram que a razão da chegada destas pessoas é fruto da crescente pressão dos EUA contra residentes ilegais e das informações falsas divulgadas pelo Centro Comunitário Haitiano Jerusalém, em East Naples, cidade do estado americano da Flórida.

Aparentemente, a organização recebeu entre US$ 300 e US$ 400 em forma de "doação" para preencher pedidos de asilo no Canadá. O presidente do centro, Jacques Sinjuste, nega a história.

"A maioria vem da Flórida. Eles vêm para cá porque os fizeram acreditar que aqui havia oportunidades de residência permanente", confirmou Francis. O prefeito também declarou que, durante uma reunião na sexta-feira com Sinjuste, este acusou "um antigo empregado" do centro pelo problema.

Janet Dench, diretora-executiva do Conselho Canadense para Refugiados (CCR, na sigla em inglês), pôs em cheque a versão de Sinjuste porque o centro "tinha informações (sobre pedidos de asilo no Canadá) em sua página na internet".

Mas Dench também descreveu outro lado do problema.

"A situação em Windsor recebeu grande atenção porque as autoridades da cidade decidiram pressionar o Governo federal para receber ajuda. Mas não vi números que mostrem um elevado aumento de pessoas solicitando refúgio ao Canadá", disse Dench.

Em 22 de setembro deste ano, o jornal mais influente do país, "The Globe and Mail", publicou um artigo no qual qualificava a chegada de 220 mexicanos em três semanas à época como "onda".

O artigo incluía declarações do embaixador mexicano no Canadá, Emilio Goicoechea, que insinuava que estes 220 migrantes podiam ser a missão avançada de 400 mil mexicanos em busca de asilo no Canadá, e que seu país estava preocupado porque isso poderia afetar o fato de os cidadãos do México não precisarem de visto para viajar ao Canadá.

"Quando se fala de 200 mexicanos... Bom, o sistema canadense tem mais de 20 mil pessoas pedindo asilo anualmente", acrescentou Dench.

A publicação do artigo em setembro aconteceu depois de "The Globe and Mail" veicular em agosto um texto do colunista Jeffrey Simpson criticando o fato de o Canadá permitir que milhares de mexicanos estivessem pedindo asilo no país.

"Ao aceitarmos refugiados mexicanos, estamos dizendo que o México não pode ou não protegerá o seu povo, e assim, o Canadá deveria fazê-lo", escreveu Jeffrey Simpson.

Simpson disse que o Canadá poderia começar a solicitar vistos aos mexicanos para evitar os pedidos de refúgio procedentes deste país e sugeriu que o México deveria ser incluído em uma lista de países cujos cidadãos não poderiam pedir refúgio no Canadá.

Pegg Roberts, diretora-executiva da organização Freedom House de Detroit, cujo trabalho se concentra na ajuda a refugiados, também mostrou ceticismo sobre a situação.

"Não recebemos nenhum mexicano (que esteja buscando refúgio no Canadá). Tivemos alguns haitianos, mas estamos os aconselhando a não vir porque há um atraso de 3 a 4 meses no processamento de solicitações", afirmou Roberts à Efe.

Roberts acrescentou que a única informação que tem sobre a "onda" de refugiados mexicanos através de Detroit-Windsor "chegou a mim através da imprensa".

Apesar de os números serem relativamente baixos, o prefeito de Windsor se mostrou preocupado com o futuro imediato.

"Sinjuste me disse que há pessoas organizando um ônibus de refugiados para a próxima semana", afirmou Francis.

 
 
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