Renan anuncia licenciamento da presidência do Congresso
Brasília - Com um pronunciamento que durou apenas 2 minutos e 16 segundos, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) anunciou na quinta-feira, às 19 horas, o licenciamento da presidência do Congresso por 45 dias. Apesar de ter dito que não precisava do cargo para se defender, Renan esticou a crise política e a permanência no comando do Senado por 150 longos dias.
Ele confessou que a resistência para deixar o cargo foi quebrada com a sessão plenária de terça-feira (09). "Saio para evitar a repetição dos constrangimentos ocorridos na sessão do dia 9 de outubro", admitiu - na terça-feira, uma dezena de senadores revezou-se numa autêntica saraivada de críticas e de pedidos contundentes para que ele deixasse a presidência e parasse de usar a instituição como trincheira de defesa contras as representações abertas no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Casa. Foi também nesse dia que o PT abandonou a defesa de Renan e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) transformou o plenário do Senado numa espécie de acareação, ao exibir uma gravação que mostraria que o assessor afastado Dole Francisco Escórcio tentara armar um esquema para investigar a vida do senador Marconi Perillo (DEM-GO) e do próprio democrata.
De terça-feira até a decisão de se afastar do cargo, foram cerca de 40 horas de muita conversa e pressão da cúpula do PMDB, e também de muito aconselhamento do amigo e governador de Alagoas, Teotônio Vilela Filho (PSDB). Coube ao presidente nacional do PMDB, deputado Michel Temer (SP), o recado mais duro e direto ao senador do PMDB de Alagoas nesse período de negociação. Chamado à presidência do Senado na manhã de quarta-feira (10) por um Renan acuado, Temer ouviu um pedido de ajuda e um desabafo: "Eu não tenho saída. Não tenho mais nada a perder", disse o senador de Alagoas. "Você tem muito a perder. Tem a perder o seu mandato", devolveu o presidente nacional do PMDB.
Comunicado - Definida a tática do pronunciamento de viva-voz, a primeira providência foi mobilizar a TV Senado. Os equipamentos foram pedidos à Secretaria de Comunicação às 17h10n incluindo o teleprompter que auxilia na leitura do texto para dar a impressão de que a fala é de improviso. Foi montada uma estrutura tanto para transmissão ao vivo à Nação, como para dar ao presidente a alternativa de gravar uma mensagem que seria transmitida mais tarde, em cadeia nacional de rádio e televisão.
Durante todo o dia, os funcionários do plenário ficaram de plantão, na expectativa da chegada de um comunicado escrito que deveria ser lido em plenário, pelo presidente da sessão. Ao longo da tarde, os senadores Francisco de Assis Moraes Souza (PMDB-PI), o Mão Santa, Magno Malta (PR-ES) e Edison Lobão (PMDB-MA) revezaram-se na tribuna e no comando do plenário, para arrastar a sessão à espera da chegada do pronunciamento de Renan Avisados de que o presidente estava a caminho do Congresso, Malta encerrou, finalmente, os trabalhos às 17h37. Àquela altura Renan estava no gabinete com a equipe da TV Senado, gravando o pronunciamento. |