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17.10.2007 imprimir Imprimir
 

Empate e má atuação do Brasil acabam com o humor de Dunga

Rio - O técnico Dunga deu uma verdadeira aula de mau humor e até de grosseria na segunda-feira, em entrevista coletiva no Hotel Sheraton São Conrado, zona sul do Rio. Um ano e dois meses depois de assumir o comando da seleção brasileira, o comandante deu sinais de não saber receber críticas. Ninguém pode questionar o futebol de sua equipe, que nada fez no 0 a 0 com a Colômbia, no domingo, jogo de estréia das Eliminatórias. Falar do esquema, dos jogadores convocados e mesmo dos escalados significa receber uma resposta atravessada.

O comandante, talvez ainda sob o impacto da falta de sono - o time chegou ao Rio às 6h20 da manhã, depois de deixar Bogotá logo após o jogo -, discutiu com repórteres e usou de ironia em diversos trechos de um papo que tinha tudo para ser tranqüilo. Vê-lo sorrindo só após a primeira pergunta, ainda fora da coletiva, e que seria para descontrair o clima. "Deu para dormir Dunga?", ouviu. O sorriso sem graça demonstrou que a brincadeira não viera em bom momento.

Dunga não aceita que ninguém coloque em xeque, por exemplo, o futebol de Vagner Love, autor de apenas três gols em 18 jogos. "Estaria preocupado com o fato de ele não vir marcando se tivesse 5, 6 chances por jogo. Mas o time não está criando", disse, tirando o peso das costas do camisa 9. Ronaldo, Romário e Careca foram citados para se fazer um comparação entre ele, Afonso e Júlio Baptista. Mas Dunga fez careta e logo se zangou. "O Júlio não é centroavante.", disse. "Mas ele já foi escalado ali na frente em alguns jogos", retrucou o repórter. "Me dê licença, como te dei ao te ouvir", rebateu o técnico.

Ali começaria um toma-lá-dá-cá que quase acabou com a entrevista quando o repórter Cícero Mello, da ESPN Brasil, resolveu apertar o treinador. "Por favor, gostaria que não fizesse monólogo para perguntar. Isso é para me irritar", reclamou Dunga que seguiu: "Não sou inteligente como você para entender uma pergunta tão longa", provocou. A rixa com o jornalista já é antiga. "Se ele não aceita ser questionado, não está preparado para ser técnico da seleção", disse Mello.

Até numa pergunta normal, de outro repórter, sobre a falta de torcedores na chegada da seleção, tirou Dunga do sério. "O povo brasileiro é trabalhador. Você é inteligente o suficiente para saber que ele acorda às 6 horas para trabalhar, não para ver desembarque da seleção", faltou com o respeito. Detalhe: a segunda-feira era feriado no Rio, por causa do Dia do Professor e do Dia do Comerciário.

Dunga fez bico até ao autor da batida frase de que "time que está ganhando não se mexe". "Não sei quem inventou essa frase, mas time que está ganhando se aprimora. Vamos estudar o elenco e no momento oportuno tomar uma decisão", afirmou, sobre a possibilidade de alterar o time titular para o jogo de hoje, contra o Equador.

O episódio do embarque para a Colômbia não poderia passar despercebido. O time treinou apenas pela manhã na sexta-feira e acabou embarcando num vôo fretado só à noite. A chegada só ocorreu às 4 horas da madrugada de sábado. Planejamento equivocado? "Eu não culpei isso pelo mau desempenho. Falei que não tínhamos jogado como era o habitual por algumas situações", explicou, sem convencer. "Tudo foi planejado. Mas não podemos planejar que a alfândega nos segure 3 horas com duas pessoas sem prática em passaportes. E a altitude? Iríamos prever que um dia antes do jogo ia chover? Que treinaríamos em campo pesado?", desfiou.

De positivo, apenas a certeza de um bom jogo do Brasil quarta-feira. "Estou seguro que faremos uma grande partida." E tudo aconteceu em apenas 23 minutos de entrevista. Que Dunga estava menos mal-humorado ontem, antes do treino de reconhecimento do Maracanã, quando colocará os pés na calçada da fama do estádio.

 
 
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