Giuliani não tem apoio de todos republicanos em NY
Não digam jamais que Al D'Amato se recusa a encerrar uma velha disputa, ou que ele odeia Rudolph Giuliani mortalmente, ou que acredita que o antigo prefeito seria um péssimo presidente.
De forma alguma, afirma. Não é por isso que ele inicialmente optou por apoiar o senador John McCain, do Estado americano do Arizona, como candidato republicano à presidência. Ou o motivo para que mais tarde transferisse seu apoio a Fred Thompson, ex-senador pelo Tennessee. Ou para que agora se recuse a declarar de maneira inequívoca que, caso a candidatura de Thomson, de quem ele foi colega no Senado, termine abandonada antes da convenção republicana, ele apoiaria a candidatura de Giuliani.
Sim, Alfonse D'Amato reconhece, a candidatura presidencial de Rudy Giuliani poderia ser uma benção para os candidatos do partido a outros postos eletivos em Nova York, no ano que vem. Mas D'Amato diz que está olhando para mais longe do que as questões pessoais, os rompimentos e celebradas reconciliações que ele teve com Giuliani nas duas décadas desde que rompeu com o ex-prefeito de Nova York de vez.
E que também está levando em consideração o panorama nacional, e não só o do Estado. Em resumo, ele afirma, Thompson tem mais chance de unir o partido e de levá-lo à vitória na eleição federal. D'Amato é parte de um pequeno mas influente grupo de líderes republicanos em Nova York que não aderiu à campanha de Giuliani. E a maioria deles tem algo em comum: são aliados do ex-governador George Pataki.
Na disputa pelo governo do Estado americano de Nova York, em 1994, Giuliani decidiu contrariar seu partido e apoiar o adversário de Pataki, Mario Cuomo, o democrata que então governava o Estado, e alertou que "a ética irá pelo ralo no momento em que a turma de D'Amato e Pataki tomar as rédeas um dia".
Entre os demais republicanos de Nova York que Giuliani não conta entre seus simpatizantes está Pataki. Um porta-voz do ex-governador, David Catalfamo, disse que ele "respeita Rudy, mas vai adiar sua decisão por mais algum tempo".
Entre os partidários da candidatura Thompson em Nova York , diz D'Amato, estão J. Patrick Barrett, ex-presidente do comitê republicano no Estado; Bruce Blakeman, que foi presidente da assembléia do condado de Nassau; e John O'Mara, um dos confidentes mais próximos de Pataki.
"Creio que Rudy esteja se saindo muito bem no momento, e devo afirmar que isso me surpreende um pouco’, disse O'Mara. "É preciso reconhecer, mas não acredito que isso vá durar. Não creio que ele venha a conquistar a indicação, porque não acredito que, em longo prazo, ele atraia a simpatia da base republicana. Quero um candidato republicano que acredite nos princípios conservadores básicos, e que também seja capaz de vencer".
Comparar Thompson e Giuliani, O'Mara disse, era como comparar "um pônei malabarista" a um "cavalo de carga firme e confiável".
Sobre a possibilidade de O’Mara apoiar Giuliani, caso Thompson deie a disputa, D'Amato disse que "seria difícil apoiar alguém que, envolvido em uma disputa crítica, deu as costas ao Partido Republicano".
Maria Comella, porta-voz da campanha de Giuliani, não se deixou impressionar pelos líderes que não aderiram. "É preciso pensar em todo o apoio que o prefeito tem em Nova York", disse, mencionando uma lista de importantes líderes republicanos que já expressaram apoio à candidatura dele, entre os quais o atual presidente do comitê estadual republicano, Joseph Mondello; Joseph Bruno, o líder da maioria republicana no Senado estadual; e Guy Mollinari, um antigo deputado federal pelo partido.
D’Amato rompeu publicamente com Giuliani pela primeira vez cinco anos antes da eleição ao governo estadual de 1994. Ele havia patrocinado a indicação de Giuliani como promotor público federal em Manhattan, em 1983, mas, depois que Giuliani tentou influenciar a seleção de seu sucessor no posto, classificou a indicação original como "o maior erro que já cometi".
Em 1989, D’Amato encorajou oposição interna no partido à primeira tentativa de Giuliani para conquistar a prefeitura, e este mais tarde culparia a acrimoniosa disputa interna que surgiu nas primárias pela derrota por margem estreita que ele sofreria nas urnas.
Perguntado, em 1994, se Giuliani poderia estar planejando disputar o governo do Estado em pessoa, quatro anos à frente, D'Amato respondeu, de maneira presciente, que "os objetivos de Rudy são maiores que isso".
"Rudy começou como democrata e se tornou republicano apenas para conseguir um posto em um governo republicano; e ele ainda não abandonou o hábito de mudar de lado", disse D'Amato. "Ele não tem base filosófica. Age movido por uma filosofia completamente amoral". Mais adiante na entrevista, ele disse, sobre Giuliani, que "só porque a pessoa estudou em um seminário, não quer dizer que ela conte toda a verdade o tempo todo".
Giuliani e o senador se reconciliaram em 1998, quando o prefeito apoiou a campanha de reeleição de D'Amato, na qual ele terminaria derrotado por Charles Schumer. Em entrevista na semana passada, D'Amato disse, sobre o relacionamento entre ele e Giuliani: "Não somos grandes amigos, mas certamente não tenho antagonismo pessoal contra ele, e não creio que ele o tenha contra mim".
Encontraram-se pela última vez há seis meses, quando Giuliani o convidou para um jantar em um clube de entusiastas dos charutos, em Nova York. "E eu disse a ele que, embora planejasse apoiar a candidatura de McCain, não falaria contra ele".
Mas D'Amato acrescentou que, na eleição, "vou apoiar o candidato republicano, aquele que vencer as primárias do partido ‘ mesmo que eu não concorde integralmente com suas idéias". |