Brasileira com deficiência visual fica sem assistência em Orlando
Amigos em New Jersey buscam todo tipo de ajuda para prover recursos
Cega do olho esquerdo e atualmente com a visão do olho direito comprometida, Alessandra Pereira de Castro Gomes, 37 anos, vem passando por várias dificuldades para ter acesso aos serviços mínimos de assistência e apoio em Orlando (Flórida). Abalados com o caso da brasileira, que é mae de um menino de 11 anos de idade, um grupo de amigos em New Jersey começa a buscar ajuda para amparar a família. Natural de Goiânia (GO), Alessandra morou em Sanwood (NJ) entre 2001 e 2004.
Quadro clínico
Alessandra Gomes é vítima de retinopatia diabética proliferativa, doença oftalmológica associada à diabetes de longa duração. Trata-se de uma alteração vascular progressiva que evolui podendo levar a cegueira. Após ter perdido totalmente a visão do olho esquerdo, Alessandra realizou três cirurgias no olho direito somente neste ano. A última cirurgia tem cerca de dois meses e ela se encontra em processo recuperatório. “Se eu coloco a palma da mão bem próxima do nariz, eu posso vê-la com nitidez. De longe só posso enchergar vultos”, descreve. Para facilitar o campo visual, a família está precisando substituir todas as louças de cor claras por coloridas. Alessandra também não consegue cozinhar. “Me cortei algumas vezes e hoje em dia preparo os alimentos somente no microondas”.
Dificuldades
Apesar do delicado quadro clínico, a paciente não vem recebendo assistência familiar em Orlando. Um dos problemas vem sendo o transporte do filho de 11 anos de idade até a escola. “Moramos à dois quilômetros de distância da escola e a empresa do ônibus escolar se negou a buscá-lo e trazê-lo. Disseram que eu deveria procurar ajuda com os meus vizinhos”, diz.
Contando somente com o esposo, Alessandra desabafa sobre a falta de recursos. “Meu marido é o único provedor da casa. Ele perde várias horas de trabalho ao transportar o nosso filho e todas as vezes que preciso ir à Clinica fazer os exames médicos. Já não estamos mais conseguindo arcar com as despesas médicas e familiares”. Com todas as cirurgias realizadas, a família Gomes já acumula uma dívida de quase dez mil dólares junto ao centro médico. A família tentou obter o programa do Charity Care, mas não conseguiu.
Falta de assistência
Com a necessidade de aprender a tatear o espaço para se adaptar à nova realidade, Alessandra pediu auxílio ao Centro Especializado em Diabetes. A consulta foi marcada somente para o dia 23 de novembro. Enquanto isso, a paciente convive com várias limitações. “Não saio de casa até as 3hpm. Já sai uma vez e fiquei perdida por muito tempo. Agora tenho medo”. Depois das 3hpm, o filho de 11 anos é quem vem auxiliando a mãe. “Caminhamos juntos até a escolinha de taekondo. Ele se preocupa muito comigo e me ajuda demais. É um menino muito bondoso”.
Com poucos conhecidos em Orlando, Alessandra carece de ajuda financeira e principalmente de apoio e calor humano. Amigos em New Jersey também irão organizar evento em benefício à família Gomes e estão procurando salões de eventos e tentando obter o apoio de empresários e proprietários de restaurantes. Quem puder colaborar, pode entrar em contato com Regina Barbosa, da agência Barb Tour (Fairview-NJ), pelo telefone (201) 280 7177. |