Rice reúne-se com líderes turcos para tratar de crise curda
Ancara - A secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, se reuniu ontem com o primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, e com outros funcionários do alto escalão do governo turco em Ancara como parte de uma ofensiva diplomática para evitar que a Turquia envie tropas ao norte do Iraque para erradicar bases de guerrilheiros curdos.
Washington teme que uma eventual incursão turca provoque instabilidade em uma das poucas regiões ainda razoavelmente estáveis do Iraque, além de poder abrir um precedente para que outros países com problemas com grupos rebeldes curdos, como o Irã, façam o mesmo.
Ancara, por sua vez, insiste no direito de atacar bases usadas pelos rebeldes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK, por suas iniciais em curdo) no norte do Iraque caso os EUA não apresentem medidas concretas contra os guerrilheiros.
Antes de desembarcar em Ancara, Rice disse a jornalistas a bordo do avião que os levava que os EUA, a Turquia e o Iraque atuariam juntos para conter os rebeldes curdos, cujos ataques a posições turcas deixaram 47 mortos ao longo do mês passado.
Assim como a aliada Turquia, os Estados Unidos qualificam o PKK como uma organização "terrorista". Apesar de o presidente americano, George W. Bush, ter rotulado a ocupação do Iraque como parte de sua "guerra ao terror" e pressionado aliados para que ajudassem com tropas, Washington insiste que Ancara opte pela via diplomática ao invés de enviar tropas ao norte iraquiano.
Tanto os Estados Unidos quanto o Iraque opõem-se a uma eventual ação unilateral turca por temerem o aumento da violência em uma das poucas áreas ainda razoavelmente estáveis do país.
O governo turco ressente-se especialmente do fato de os EUA possuírem mais de 160.000 soldados no Iraque, travando o que a Casa Branca chama de "guerra ao terror", mas nada fazer para erradicar um grupo considerado terrorista tanto por Washington quanto por Ancara.
Condoleezza Rice tenta impedir ataque turco aos curdos