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07.11.2007 imprimir Imprimir
 

FAÇAM O QUE DIGO E NÃO O QUE FAÇO

Como é fácil criticar e colocar ordem na casa dos outros!

No último domingo, chegou ao Brasil o relator especial que trata das execuções arbitrárias sumárias ou extra-judiciais da Organização das Nações Unidas (ONU), o australiano Philip Alston.

Dita missão começou suas investigações na capital paulista onde no início da tarde de segunda feira se reuniu com entidades civis e familiares de vítimas da violência.

Em São Paulo, o relator da ONU permaneceu até terça-feira onde investigou as execuções ocorridas em Maio de 2006 e as mortes não explicadas ocorridas nos presídios.

Sua próxima parada é o Rio de Janeiro onde ficará até sábado com a finalidade de investigar a política de segurança e a violência policial.

Sua última etapa será Pernambuco onde estará dias 11 e 12 deste mês para investigar grupos de extermínio, violência no campo e contra os povos indígenas.

Durante sua visita Philip se reunirá com representantes da sociedade civil, dos governos estaduais e federal, além de familiares de vítimas e testemunhas.

Em cada local visitado será entregue um dossiê sobre a violência elaborado pelas organizações dos direitos humanos e movimentos sociais.

De retorno aos EUA, Alston elaborará um relatório que será divulgado no próximo ano.

Philip Alston assumiu a relatoría em Agosto de 2004 em substituição a Asma Jahangir.

Além de dar seguimento à visita de Jahangir em 2003, o atual relator vai apurar novas denúncias de execuções.

As autoridades da ONU demonstram preocupar-se com a violência, execuções e com os direitos humanos no mundo mas não se preocupa com o que ocorre dentro do próprio país.

No ano em curso, tivemos notícias de vários custodiados da Imigração que morreram nos presídios sem uma explicação convincente.

Entre estes, tivemos três brasileiros que faleceram por ataque epiléptico, tendo como curiosidade, em todos os casos as respectivas famílias acusaram o sistema de custódia de não permitir que os mesmos tomassem os medicamentos que impediriam que sofressem convulsões.

Para justificar as mortes que foram causadas unicamente por negligência, os agentes  afirmam que os mesmos morreram por overdose de drogas.

Está na hora dos homens que investigam as mortes nos presídios alheios, o faça também no sistema americano.

Não podemos e não pretendemos tapar o sol com um dedo, ignorando o que ocorre em nosso país, mas não podemos permitir que nossa gente morra em presídios americanos ou de outros países por negligência e desrespeito das autoridades responsáveis.

É comum termos conhecimento de mortes provocadas por policiais desnecessariamente, parece que a ordem é, primeiro matar e depois averiguar. As excusas oferecidas são tão arbitrárias quanto o próprio ato. Quem deveria nos oferecer segurança nos amedronta com tanto autoritarismo.

Uma coisa é prender alguém por ter desrespeitado as leis do país, como por exemplo permanecer ilegalmente no país, que apesar de ser considerado crime não é punido com a pena de morte. Outra bem diferente é não respeitar a vida permitindo sua morte tão somente pelo capricho de não  ministrar os medicamentos usados pelo cidadão que eram a garantia de sua sobrevivência.

O corpo policial deve conter o crime e não promovê-lo, que o Sr Philip investigue essa conduta antes de meter-se com outros países.

Informar é um privilégio, informar corretamente uma obrigação.

 
 
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