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   Notícias dos Estados Unidos

14.11.2007 imprimir Imprimir
 

Polícia dos EUA devolve facção criminosa ao Brasil

Brasileiros presos em julho nos Estados Unidos usavam uma suposta ligação com facção criminosa do Rio para extorquir, roubar e vender drogas. Detidos no Interior do Estado de Massachusetts, no nordeste do país, eles se diziam integrantes da Amigos dos Amigos (ADA) e agiam contra imigrantes brasileiros, que, por estarem ilegais nos EUA, não denunciavam os crimes. A ação da gangue causa preocupação à polícia local, que já pediu ajuda do órgão de imigração americano e está promovendo seminários com a comunidade para estimular denúncias.
Seis brasileiros foram para a cadeia de Frimingham. A um jornal local, o chefe de polícia, Steve Carl, disse temer que um pouco da violência carioca, "que faz do Brasil um dos países com maior índice de violência urbana", se instale na cidade. A 30 minutos de Boston, Frimingham tem cerca de 100 mil habitantes, dos quais 30 mil são brasileiros. A polícia de lá identificou pelo menos duas quadrilhas que atuam na região, denominadas de Furacão e Jovem Brazilian Máfia. Carl garante que elas têm conexões fortes com traficantes do Rio.
Todos os seis brasileiros presos estavam ilegais no país e tinham pelo menos uma passagem pela polícia, na sua maioria por infrações de trânsito. Com dois deles, os mineiros Marcilei Caetano e Joelson Gomes Fonseca, 24 e 21 anos, foram encontrados anabolizantes e outras drogas sintéticas. Por posse de drogas ilegais, foram presos e condenados a pagar fiança de US$ 2 mil (RS$ 3.560).

Tráfico e roubo

Marcilei e o mineiro Diego Felipe Rosa, 18, que também foi detido na operação - por não ter documentação legal -, foram deportados em setembro e estão no Brasil em liberdade. Segundo a Polícia Federal (PF), não podem ser presos se não tiverem passagem pela polícia daqui, pois já responderam por seus crimes onde os mesmos foram cometidos. A PF solicitou informações à Interpol (organização internacional de polícia criminal) para saber o motivo da deportação de Diego e Marcilei.
Segundo a polícia, as gangues brasileiras surgiram há cerca de cinco anos e se tornaram perigosas e muito violentas. Suas principais atividades são tráfico de drogas, roubo e invasão de propriedades, já que muitos brasileiros não têm conta bancária e guardam dinheiro em casa. Os roubos de residências são comuns e pouco denunciados.
Apesar disso, os integrantes dessas quadrilhas são praticamente invisíveis para a polícia americana: não têm documentos regularizados, usam nomes falsos, não ostentam armas nem andam tatuados. Dessa forma, os bandidos estão praticamente impunes, graças à clandestinidade, comum entre brasileiros nos EUA.

Reuniões semanais

A polícia de Frimingham começou este mês a realizar reuniões semanais com lideranças da comunidade brasileira. O objetivo dos encontros, que acontecerão todas as quinta-feiras até o fim de novembro, é tratar da crescente criminalidade envolvendo imigrantes. Na primeira reunião, três integrantes do alto escalão do Immigration and Customs Enforcement (ICE), o departamento de imigração norte-americano, estiveram presentes.
Eles falaram sobre a aliança feita com a polícia local com o objetivo de prender criminosos estrangeiros, deixando claro que não estão promovendo caçada aos imigrantes ilegais, que são trabalhadores honestos e pagam impostos.
Segundo Ilton Lisboa, que mora há 20 anos nos Estados Unidos e é diretor da Massachusetts Aliance of Portuguese Speakers (MAPS), instituição de auxílio a imigrantes da língua portuguesa, estão programadas palestras com o desembargador da cidade, que falará dos direitos dos imigrantes, e integrantes do órgão de fiscalização do trânsito.
Ilton explica que a maioria dos brasileiros foram presos por dirigir sem habilitação, sob efeito de álcool ou substâncias ilícitas ou por extrapolar o limite de velocidade permitida. "Como esses bandidos não são denunciados por seus crimes, acabam pegos por não respeitar a lei de trânsito, que, por aqui, é coisa séria."
Para ele, a iniciativa do ICE é importante, porque as gangues brasileiras estão se proliferando, aliciando e viciando menores e recém-chegados ao país. Ilton teme que a imagem dos brasileiros sofra danos pela ação "de uma minoria que já era envolvida com atividades ilícitas no Brasil e foi para os EUA com a única intenção de praticar crimes". Entre essas atividades estariam festas em que são oferecidas orgias e banquete de drogas. "Eles estão agindo tão livremente que anunciam essas festas em panfletos, em português, distribuídos no Centro da cidade", diz.

Imagem ruim

A imagem dos brasileiros em Massachusetts, por causa de quadrilhas como esta, acaba sendo associada ao crime. No site de relacionamentos Orkut, há pelo menos 10 comunidades intituladas 'Brasileiros em Boston' (ou similar), nas quais o assunto segurança é debatido. Em uma das comunidades, uma internauta desabafa sobre o que tem ouvido dos americanos: "Mudei para os Estados Unidos há três anos e sempre ouço falar de brasileiros que dão golpes financeiros na praça, em bancos, cartões de crédito e até amigos... Isso é verdade?"

Internet
Na Internet, três dos brasileiros presos em Framingham não escondem suas atividades ilegais, exibindo inclusive fotos com armas. Marcilei Caetano, que é da cidade mineira de Tarumirim, tem dois perfis diferentes no site de relacionamentos Orkut, onde já trocou recados sobre documentação e o tempo na cadeia americana. Ele também mantém um fotolog (álbum de fotos na Internet) onde cita a Jovem Brazilian Máfia (JBM). Em uma das fotos, a legenda "olha nois ahe... a.d.a", em referência à facção Amigos dos Amigos.
Joelson Fonseca, de Governador Valadares, diz em seu Orkut que "ainda está em situação indisponível". Ele continua nos Estados Unidos, esperando pela deportação, mas se comunica através de uma prima, que atualiza seus recados. Já Diego Rosa, de Belo Horizonte, é o que mais se expõe. Trata os companheiros de prisão de "irmãos" e conta para Joelson que retornou ao Brasil com nome falso, mas já conseguiu apagar esse nome do sistema do governo americano, podendo voltar tranqüilo para os Estados Unidos. Em seu álbum, ele aparece com Marcilei e Joelson, que exibe uma arma na cintura.

 
 
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