Sarkozy diz que não cederá a grevistas
Paris - O presidente francês, Nicolas Sarkozy, manifestou-se ontem pela primeira vez sobre a greve de transportes no país no mesmo dia em que funcionários do setor público aderiram à paralisação - que já dura sete dias. Sarkozy enfatizou a importância das reformas propostas pelo seu gabinete e afirmou que, quando foi eleito em maio, seus eleitores lhe deram um mandato para realizar essas mudanças.
"A França precisa de reformas para cumprir os desafios impostos ao país pelo mundo", disse o presidente durante uma reunião com prefeitos franceses. "Eu não vou trair a confiança daqueles que me elegeram."
Ontme, o país enfrentou uma série de protestos conjuntos contra as reformas do governo. Além dos funcionários do sistema de transporte, a marcha reuniu trabalhadores dos correios e de empresas distribuidoras de jornais e revistas, professores e estudantes. Segundo o líder sindical Bernard Thibault, do CGT, cerca de 700 mil pessoas participaram do protesto - a polícia colocou o número de manifestantes em 375 mil.
Apesar de a manifestação ser conjunta, cada categoria protesta por um motivo diferente. Os ferroviários são contra os planos do governo de cortar as aposentadorias especiais da categoria, que garante a 500 mil funcionários públicos 2,5 anos a menos de trabalho que o restante da população. Os funcionários dos correios criticam os planos do governo de reduzir o setor público, os distribuidores não entregaram jornais para protestar contra as reformas no setor e os estudantes e professores querem mais autonomia nas universidades.
"Todos deveriam entender que, para mim, esse conflito não terá vencedor nem perdedor, mas também digo que (os manifestantes) devem saber como terminar uma greve quando as negociações começarem", disse o presidente. As negociações com os funcionários do sistema ferroviário e do transporte público devem começar amanhã. Sarkozy afirmou que grande parte dos trabalhadores do sistema de transportes já havia retornado ao trabalho e acusou uma minoria de sindicalistas de tentar radicalizar os protestos e danificar a economia do país.
A previsão dos sindicatos que lideram a greve era que apenas metade dos trens de alta velocidade e regionais circulassem ontem no país. O metrô de Paris funciona com um terço de sua capacidade e apenas 40% da frota dos ônibus está nas ruas. O ministro do Orçamento, Eric Woerth, afirmou que as paralisações estão custando à França US$ 439 milhões por dia e, caso as greves continuem, a economia do país pode sofrer ainda mais. |
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