Preocupação com crise subprime resulta em saída de recursos de fundos emergentes
As preocupações com a crise das hipotecas subprime e com um ambiente global de crédito mais restritivo, aliado a uma crescente percepção de menor crescimento da economia norte-americana em 2008 levaram os investidores a sacar recursos dos fundos de ações e correr em busca de proteção.
De acordo com a Emerging Portfolio Fund Research (EPFR Global), consultoria que acompanha a movimentação de fundos que somam mais de US$ 10 trilhões em ativos, a maior parte do grupo de fundos de ações registrou saída líquida de recursos na semana encerrada dia 14 de novembro. Os fundos de ações de mercados emergentes perderam US$ 5,58 bilhões, enquanto os fundos de ações de países desenvolvidos registraram saques de US$ 5,07 bilhões. Por outro lado, os Money Market Funds (que buscam investimento de curto prazo com baixo risco) receberam outros US$ 10,1 bilhões no mesmo período.
Segundo o analista da EPFR Global Cameron Brandt, os Money Market Funds apresentam duas características apreciadas pelos investidores: Eles são muito líquidos, o que permite a rápida movimentação entre os mercados, e a maior parte deles tem uma garantia implícita de que o gestor não perderá nenhum dinheiro, algo bastante atrativo no atual clima de investimento, disse o analista por meio de comunicado. Dentro deste ambiente, o conjunto de fundos emergentes registrou a pior a semana desde março. A categoria Ásia (excluso Japão) perdeu US$ 2,56 bilhões no período, enquanto o grupo Mercados Emergentes Globais, que investe em todos emergentes, teve saque de US$ 2,11 bilhões.
Os investidores também retiraram dinheiro do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) tanto coletivamente quanto individualmente. O Fundos da China também foram atingidos dada a menor perspectiva de crescimento mundial e pela crescente visão de os ativos chineses são uma bolha esperando para ser estourada. Os BRICs e os fundos da China perderam juntos cerca de US$ 2,1 bilhões na semana. Embora os Fundos da América Latina também tenham sido alvo de realização de lucros, o desempenho dos portfólios segue bastante positivo, com um retorno acumulado de 60,76% em 2007, superando o grupo Ásia (retorno de 54,57%) como o de melhor performance no ano. Apesar do fraco comportamento na semana em termos de aplicações, o combinado dos Fundos de Ativos Emergentes registrou a atração de US$ 35,6 bilhões em investimentos durante 2007. Os Fundos de Ativos da Europa e do Japão seguiram perdendo recursos. Para o diretor-gerente da EPFR Global, Brad Durham, os saques dos fundos Europeus estão relacionados à perda de valor do dólar, maior preço da energia e a incerteza quanto ao grau de envolvimento da região com crédito subprime dos Estados Unidos. No caso dos Fundos de Ativos do Japão, os saques no ano já somam US$ 15 bilhões. Há 33 semanas não há entrada líquida de recursos nesta classe de ativo. Na categoria Fundo de Ativos da Europa, as perdas já somam US$ 24 bilhões no ano.
Já os Fundos de Ativos dos Estados Unidos apresentaram a modesta saída de US$ 319 milhões, ou cerca de 0,02% do total sob gerenciamento. Segundo a consultoria, o que segura recursos nos EUA são os investimentos destinados às empresas de baixa capitalização. |