Brasil sofre, mas vence Uruguai com dois de Luís Fabiano
São Paulo - Ainda bem que Dunga mandou coerência que tanto apregoa às favas e, num arroubo de bom senso (e também para fazer um pouco de média com a torcida paulista), mexeu na seleção brasileira que ele dois dias antes dissera ser intocável e colocou Luís Fabiano no lugar de Vágner Love na quarta, na partida contra o Uruguai. O ex-são-paulino retribuiu a "confiança" fazendo os gols do Brasil na vitória por 2 a 1 sobre o adversário, que certamente garantirá ao treinador algumas noites de sono tranqüilo.
Não fosse Luís Fabiano e o apoio e a paciência do torcedor paulista - pedidas por Dunga e os atletas nos dias que antecederam ao jogo com os uruguaios -, não teriam existido. Mesmo porque os gols do centroavante e as defesas do goleiro Julio Cesar (falhou no gol do adversário, mas depois fechou o gol, calando até os torcedores que ameaçaram fazer um coro forte em prol de Rogério Ceni) não escondem as falhas da seleção brasileira.
O time de Dunga não tem padrão tático, parece recusar-se a fazer jogadas no setor de meio-de-campo (as bolas passam diretas da defesa ao ataque), marca mal e pouco cria. E que facilmente se perde diante de uma forte marcação.
Foi assim na quarta, diante do Uruguai, que dominou totalmente o primeiro tempo. Abriu o placar aos 8 minutos, após cruzamento da direita que Julio Cesar cortou mal e Abreu aproveitou e teve várias chances para ampliar. Não conseguiu e levou o empate aos 44 minutos, quando Luís Fabiano acreditou num passe de Maicon e, sem ângulo, enfiou a bola no meio das pernas do goleiro Carini.
Naquela altura, a torcida, impaciente com a seleção, já havia xingado o técnico Dunga, vaiado três vezes o time com mais intensidade e gritado "Ão, ão, ão, cadê a seleção". As vaias voltaram a ser ouvidas ao fim do primeiro tempo, mesmo com o empate.
O início do segundo tempo foi preocupante. A seleção continuava perdida. A torcida se revoltou quando Dunga trocou Ronaldinho Gaúcho pelo volante Josué. O atacante do Barcelona, apagado como Robinho e também Kaká (que pelo menos se esforçou mais) foi criticado. Mas o técnico irritou muito mais ao trocar um homem de frente por um volante. Dunga foi, então, chamado de "burro".
Mas o gol de Luís Fabiano, aos 19 minutos, aproveitado um chute torto do novamente fraco Gilberto após cruzamento do esforçado e (na quarta) eficiente Maicon, acabou com a pressão.
Depois do segundo gol da seleção, alívio. Apesar de alguns sustos quando o Uruguai atacou, a vitória foi garantida. O Brasil chega, assim, aos oito pontos em quatro jogos e ganha meses de calmaria. Até as partidas de junho, contra Paraguai e Argentina.
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