Jogadoras da seleção feminina cobram a CBF
Rio - As jogadoras da seleção feminina de futebol pensam em se mobilizar para fazer reivindicações junto à Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Elas estão inconformadas com a premiação (R$ 17 mil) paga pela entidade, referente ao vice-campeonato mundial na China e à medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos do Rio.
"A gente esperava uma valorização", declarou uma das jogadoras da seleção brasileira, que pediu anonimato com medo de represália. Ela teme desabafar e pagar caro por isso. "Não quero brigar e sair prejudicada, com fama de falar demais. Temos que agir em conjunto."
De acordo com a jogadora, que participou das duas campanhas da seleção nesta temporada - ouro no Pan e prata no Mundial -, a CBF não cumpriu a promessa de pagar o valor equivalente ao oferecido ao time masculino pentacampeão mundial em 2002 - naquela ocasião, cada titular recebeu US$ 150 mil (cerca de R$ 290 mil). Por meio de sua assessoria, a entidade não quis comentar o assunto.
A jogadora também lamentou a falta de estrutura e de incentivo no futebol feminino do Brasil. Contou que queria comprar uma casa para a família com o prêmio prometido pela CBF e disse que as demais atletas estão se sentindo acuadas. "Se eu fosse homem e estivesse num grande clube, poderia chutar o balde, porque teria o meu salário do time garantido. Mas todas dependem da seleção", explicou.
Segundo a jogadora, o que mais dói é saber que o esforço das atletas brasileiras nos últimos anos tem sido em vão. Ela lembrou que a seleção disputou duas finais recentemente, em competições de destaque, e despertou a atenção do público no mundo inteiro.
A indignação das jogadoras do futebol feminino brasileiro é antiga. Horas após a decisão da Copa do Mundo da China, em setembro, contra a Alemanha, elas se reuniram no hotel onde a seleção estava concentrada e redigiram uma carta com várias reivindicações - entre elas, estavam transparência da CBF em relação à definição da premiação, mais amistosos e uma diária maior.
Mas, ao tomar conhecimento do documento ainda quando a seleção estava na China, a CBF abafou a crise, anunciando algumas medidas antes mesmo de a equipe desembarcar no Brasil. As meninas, então, fizeram um pacto para não divulgar a carta de protesto. Agora, parecem dispostas a reclamar novamente. |