Aposentado mantém família refém e mobiliza Bope no Rio
Rio - O aposentado Manoel dos Santos Gomes, de 60 anos, mobilizou por mais de 12 horas 40 homens da Batalhão de Operações Especiais (Bope), a tropa de elite da polícia do Rio, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense. O caso começou às 15 horas de domingo (25), quando Gomes atirou em Dyhoni Dyn Bento da Silva, de 43 anos, que foi tentar alugar uma das dez casas do aposentado em uma vila no bairro Andrade Araújo.
Os dois discutiram sobre o valor do aluguel e o aposentado atirou em Silva, que estava com a mulher, a filha adolescente e uma amiga. A vítima foi atingida nas nádegas e passa bem. O aposentado se trancou em casa com a mulher e a filha. Quando a polícia chegou, ele se recusou a sair e apareceu na janela com uma carabina. O cerco só terminou às 10 horas de segunda-feira (26).
A Polícia Militar iniciou a negociação e acionou o Bope. Os 40 homens da tropa chegaram à vila às 21h30 e assumiram as negociações com o aposentado até as 2h45 da segunda-feira, quando Gomes se disse cansado e fechou a janela "para se recolher", segundo comandante do 39º Batalhão da PM, tenente-coronel Lima Freire. As conversas só foram retomadas às 7 horas. "A opção por esperar foi por desconhecer a situação da família dele", explicou o comandante. Além do Bope, 12 homens do batalhão local e uma ambulância ficaram de plantão na porta da vila.
"Ele dizia que só se entregaria na presença de seu advogado e com uma intimação oficial. Cumprimos as exigências e ele foi preso às 10 horas", disse Freire. Na casa do aposentado, a polícia encontrou dois revólveres, de calibres 32 e 38, e duas carabinas, além de munição que estava em um cofre.
AUTORITARISMO - Funcionário aposentado da Marinha Mercante, Gomes foi descrito por vizinhos como um homem autoritário e violento. Eles disseram que o aposentado costumava dar tiros a esmo e andar de carro em alta velocidade.
O delegado-titular da 54ª Delegacia de Polícia, Flávio Brito, indiciou o aposentado por tentativa de homicídio, cuja pena vai de 3 a 9 anos de prisão. "Vamos verificar a situação das armas e podemos indiciá-lo por porte ilegal." |
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