Putin diz que EUA pressionaram OSCE a não enviar observadores eleitorais
São Petersburgo - O presidente Vladimir Putin acusou ontem os Estados Unidos de terem pressionado a OSCE para não enviar observadores às eleições parlamentares da semana que vem na Rússia. A organização negou a acusação.
A dura declaração de Putin reflete o crescente esfriamento das relações entre Moscou e Washington e indica que qualquer crítica da administração Bush à votação de 2 de dezembro irá prejudicar ainda mais os já tensos laços.
"Segundo informações que dispomos, mais uma vez isso foi feito com o aconselhamento do Departamento de Estado dos EUA e sem dúvida vamos levar isso em consideração em nossa relação com aquele país", disse Putin, referindo-se à decisão do começo do mês da Organização para Segurança e Cooperação na Europa sobre não enviar observadores.
O Kremlin está usando todas suas armas para conquistar uma acachapante vitória para o governista partido Rússia Unida nas votação de 2 de dezembro - abrindo a possibilidade de Putin manter seu domínio do poder mesmo depois que deixar a presidência no ano que vem. A constituição impede que ele busque um terceiro mandato consecutivo. Ontem, a Câmara Alta do Parlamento formalizou para 2 de março a data da eleição presidencial.
O escritório de monitoramente eleitoral da OSCE anunciou em 16 de novembro que não iria enviar uma missão à Rússia, alegando que Moscou não havia emitido vistos a tempo e criado outros obstáculos. A Rússia também havia dito que permitiria a entrada de apenas 70 observadores da OCDE - bem menos do que nas eleições anteriores.
Putin disse que a recusa visava colocar dúvida sobre a legitimidade da eleição.
"O objetivo deles é claramente fazer as eleições parecerem ilegítimas, mas eles não terão sucesso", afirmou Putin numa reunião patrocinada pelo Rússia Unida.
A Embaixada americana em Moscou negou-se a comentar imediatamente a acusação.
Uma porta-voz do escritório de monitoramento eleitoral da OSCE, Urdur Gunnarsdottir, classificou a acusação de Putin de "absurda".
Ela disse que a decisão foi tomada pelo diretor do Escritório de Instituições Democráticas e Direitos Humanos da OSCE, baseado em Varsóvia, em consulta com especialistas eleitorais da organização. "Não foi uma recomendação de nenhum governo, e certamente não do governo dos EUA", garantiu Gunnarsdottir.
Quando a OSCE anunciou que não enviaria observadores, o Departamento de Estado dos EUA criticou as limitações impostas por Moscou a observadores internacionais e disse que o Kremlin havia deliberadamente impossibilitado a atuação de fiscais da OSCE.
Autoridades russas responderam então que era a OSCE que estava criando os problemas, a mando dos EUA.
A OSCE - que inclui os EUA, Canadá, países europeus e ex-repúblicas soviéticas - é considerada por muitos no Ocidente como a maior autoridade para atestar se uma eleição respeitou ou não princípios democráticos.
A Rússia e alguns de seus aliados acusam os monitores da OCDE de apoiarem tacitamente forças oposicionistas pró-Ocidente. Os pareceres eleitorais da OCDE foram considerados fatores-chave no encorajamento de protestos maciços na Geórgia e Ucrânia que levaram ao poder líderes pró-ocidentais.
Ontem, o governo alemão exigiu a libertação do ex-campeão mundial de xadrez Garry Kasparov, preso junto com outros líderes da oposição no fim de semana quando participavam de uma manifestação contra o governo russo em Moscou e em São Petersburgo. Uma corte de apelação de Moscou confirmou ontem a pena de cinco dias aplicada a Kasparov por participar de manifestação não autorizada.
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