Vasco vence Corinthians, que segue ameaçado no Nacional
São Paulo - Olhos vermelhos de choro, olhares perdidos. Expressões de desespero, incredulidade, mãos para o céu. Reza silenciosa e de esperança. Os rostos dos corintianos na quarta, no Pacaembu, traduziam o que eles mais temiam: terão de sofrer até o fim. A agonia teve o penúltimo, e triste, capítulo na derrota por 1 a 0 para o Vasco. O único, e importante, consolo foi que o Goiás também perdeu (4 a 1 para o Atlético-MG, no Mineirão). Isso dá ao Corinthians a chance de escapar da Série B domingo, na rodada derradeira do campeonato, contra o Grêmio, em Porto Alegre.
A salvação, claro, não vai ser fácil. Com 43 pontos e 10 vitórias, o Corinthians terá de vencer no Estádio Olímpico uma equipe que ainda tem chances (remotíssimas) de chegar à Libertadores para escapar pelas próprias pernas. Se empatar, vai precisar torcer para o Goiás (42 pontos e 12 vitórias) no máximo empatar com o Internacional, no Serra Dourada. Perdendo, só escapa se o time goiano também for derrotado, em casa. Até o Paraná (41 pontos e 11 vitórias) superará o Corinthians se bater o Vasco no Rio e os paulistas não vencerem no Sul.
Vontade não faltou ao Corinthians. Todos os jogadores demonstraram garra, disposição, correram, movimentaram-se, enfim fizeram o possível para chegar ao gol. O problema é que, como se sabe, os atletas da equipe de Parque São Jorge carecem de técnica aprimorada. A deficiência que transformou a maioria dos jogos do Corinthians no Brasileiro em um drama, tornou a batalha da quarta ainda mais dramática.
Atacar, o Corinthians atacou. Mas, sem criatividade, com a bola "queimando", conseqüência do nervosismo dos jogadores, pouco os paulistas fizeram no primeiro tempo. Mesmo porque o Vasco, assustado, fechou-se bastante, segurando a pressão e optando por explorar os espaços que necessariamente o Corinthians iria dar para contra-atacar. Outro defeito do time: apressado, insistiu em tentar jogadas longas e bolas alçadas, em detrimento de lances mais bem trabalhados.
De efetivo, o Corinthians conseguiu duas boas chances no primeiro tempo, em cabeçada de Fábio Ferreira e chute de fora da área de Carlos Alberto. Cássio fez duas grandes defesas. O Vasco acabou chegando mais: com Moraes e Alan Kardec, que teve três boas chances. Numa delas, aos 45 minutos, Felipe voltou a salvar o Corinthians: pegou o chute do atacante, após ter desviado a conclusão inicial de Leandro Amaral.
A Fiel estava nervosa, tensa, como não poderia deixar de ser. Mesmo assim, empurrou o time durante todo o tempo. Em vão.
Como em vão foi o apoio na etapa final. O Corinthians até que criou duas boas chances nos cinco primeiro minutos. Mas com o tempo passando, o desespero aumentou e o time se perdeu. A situação piorou quando Alan Kardec, aos 19 minutos, escorou de cabeça cruzamento da esquerda, feito por Guilherme, e marcou 1 a 0 para o Vasco.
A partir daí, desespero total do time. Nem mesmo o segundo gol do Atlético contra o Goiás (o jogo estava 1 a 1) acalmou um pouco os corintianos. Mesmo porque a diretoria do Corinthians proibiu que o serviço de som do Pacaembu anunciasse o resultado de Minas e os torcedores, assim, ficaram sabendo aos poucos da "boa nova".
Também, não adiantaria nada. Nem a bola no campo jogada por um gandula para evitar o segundo gol do Vasco em um contra-ataque (Felipe estava fora do gol). O Corinthians, mais uma vez, sucumbiu. Agora, resta-lhe apenas uma chance. E não poderá errar o tiro.
No Corinthians x Vasco, derrota mexe com as emoções dos torcedores do Timão