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01.12.2007 imprimir Imprimir
 

Forças filipinas abortam levante militar contra o governo

Manila - A presidente das Filipinas, Gloria Macapagal Arroyo, reagiu rápido e abafou em algumas horas a mais recente crise envolvendo seu governo, enviando soldados e tropas de elite para neutralizar uma tentativa de golpe protagonizada por oficiais dissidentes do Exército.

Os oficiais amotinados, que exigiam a renúncia de Arroyo em meio a acusações de corrupção contra o governo, já respondiam a processo por tentativa de golpe. Eles só aceitaram se entregar depois que o lobby do hotel onde se refugiavam foi invadido pelas forças de segurança.

O impasse estendeu-se por cerca de sete horas. Tudo começou quando os líderes do motim, que respondem a processo em um tribunal de Manila, saíram a pé da corte depois de uma audiência caminharam até o hotel, invadiram o local e estabeleceram um centro de comando enquanto guardas armados vigiavam o lobby. Os policiais que escoltavam os réus na corte aparentemente não fizeram nada para impedir que eles saíssem.

Após o desfecho, o governo impôs um toque de recolher da meia-noite às 5h locais de sexta-feira em Manila e adjacências. Postos militares foram erigidos e as forças de segurança estavam em alerta vermelho.

O secretário de Interior das Filipinas, Ronaldo Puno, disse que intenção original é que o toque de recolher dure apenas uma noite.

Avelino Razon, diretor da Polícia Nacional, disse que 101 pessoas foram detidas no hotel e que outras estavam sendo procuradas. Segundo ele, investigadores encontraram documentos "que sustentam a teoria de que a atividade foi bem planejada" e sugerem que "outros grupos podem tentar das continuidade".

Duas pessoas ficaram feridas quando as forças de segurança invadiram o Hotel Peninsula, em Makati, distrito empresarial de Manila. Um veículo militar blindado foi usado para atravessar à força o lobby do hotel em meio a densas nuvens de gás lacrimogêneo.

Um líder dos oficiais amotinados aceitou sair pacificamente. "Para a segurança de todos, estamos saindo, pois não suportaremos o peso na consciência se alguém se machucar no fogo cruzado", disse Antonio Trillanes a jornalistas.

"Isso não é uma derrota", afirmou Trillanes, que elegeu-se senador em maio mesmo concorrendo da cadeia. "Fizemos apenas o que precisava ser feito. Eu me consideraria um traidor se não fizesse nada. Se alguém perdeu alguma coisa aqui, foi a nação como um todo", declarou.

Os militares rebelados e seus simpatizantes civis - entre eles o ex-vice-presidente Teofisto Guingona - foram levados em grupo a ônibus da polícia que esperavam perto do hotel. Não ficou claro se eles seriam presos ou somente interrogados. Diversos jornalistas foram levados também.

Depois que o motim foi abafado, Arroyo afirmou que seu governo é estável e que o Exército continua leal a ela. "Mais uma vez mostramos ao mundo a estabilidade das instituições de nossa democracia e a força desse governo", disse ela em pronunciamento à nação transmitido pela televisão.

"Ações erradas e desorientadas de poucos não representam a voz do povo, do Exército ou da polícia", prosseguiu a presidente. "Toda a força da lei será aplicada sem concessões", assegurou.

Os primeiros tiros foram disparados pouco mais de uma hora depois do fim de um prazo imposto para que os amotinados se rendessem.

Junto de outros oficiais dissidentes e da oposição de esquerda, os amotinados tentavam fustigar uma terceira revolta popular contra o governo, dando telefonemas e enviando mensagens de texto em busca de apoio.

Mas poucas pessoas compareceram à região para participar da mais recente tentativa de derrubar Arroyo, que já sobreviveu a três tentativas de golpe e três processos de impeachment durante os sete conturbados anos em que ocupa a presidência.

Questionado sobre se possuía alguma mensagem para Arroyo, Trillanes declarou: "Mais cedo ou mais tarde a hora de prestar contas chegará".

Ele e outros réus respondem a um processo por insurreição em um episódio no qual militares ocuparam um shopping center e um hotel para exigir a renúncia de Arroyo em 2003. Eles se renderam no mesmo dia e foram acusados de tentativa de golpe.

Na quinta-feira, outros militares e simpatizantes aderiram ao grupo de Trillanes. O general de brigada Danilo Lim, suspeito de envolvimento numa outra tentativa de golpe no ano passado, divulgou comunicado pedindo ao Exército que retire o apoio a Arroyo.

"A senhora Arroyo roubou a presidência de (Joseph) Estrada e depois manipulou os resultados das eleições de 2004", denunciou.

Arroyo assumiu o poder em janeiro de 2001, quando o presidente Estrada foi derrubado em meio a uma "revolta popular". Opositores criticam a legitimidade dela desde então. Ela também é acusada de fraude eleitoral nas eleições de 2004, que garantiram a ela um mandato de seis anos.
 
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