Kaká confirma favoritismo e ganha Bola de Ouro de 2007
Paris - Prestigiado por ídolos do futebol mundial e assistido ao vivo por milhões de franceses, o meio-campista Kaká conquistou na manhã do domingo o troféu Bola de Ouro, o título de melhor jogador do mundo segundo o júri da revista especializada France Football. Com 444 pontos, o jogador do Milan, da Itália, tornou-se o quarto brasileiro a erguer o troféu - após Ronaldo (1997 e 2002), Rivaldo (1999) e Ronaldinho Gaúcho (2005). O português Cristiano Ronaldo, com 277 pontos, e o argentino Lionel Messi, com 255, completaram a lista dos primeiros colocados.
A divulgação do prêmio aconteceu em meio ao programa Telefoot, da emissora de televisão francesa TF1. Sentado em meio a uma platéia formada de jogadores de futebol em atividade e aposentados, dirigentes de clubes e convidados, Kaká foi desde o início da transmissão o centro das atenções. Embora os apresentadores se esforçassem para manter o suspense, a presença de diversos dirigentes do Milan indicava seu favoritismo.
Talvez pela falta de surpresa - ele já havia sido comunicado do prêmio pelos organizadores -, Kaká não se mostrou emocionado. Em sua primeira declaração, agradeceu a Deus, à esposa e aos pais. "Este prêmio consagra um ano muito especial para mim", disse, não muito à vontade no palco. A seguir, lembrou seu clube e os torcedores do Milan e da seleção brasileira. "A única forma de ganhar um prêmio como o Bola de Ouro é participar de uma equipe vencedora." Mais de uma vez, os apresentadores destacaram sua atuação decisiva para a conquista da Copa dos Campeões de 2007, campeonato do qual Kaká foi artilheiro.
ELOGIOS DAS ESTRELAS - Primeiro atleta a vencer o troféu na "era globalizada" do troféu Bola de Ouro - neste ano, 25 mil pessoas votaram em 60 mil jogadores profissionais de todos os continentes -, o ex-são-paulino assistiu então a um cortejo de astros elogiosos. Zinedine Zidane foi breve: "Kaká é um jogador excepcional, que obteve conquistas importantes pelo Milan." Sucederam-se depoimentos de Cafu, Ronaldo Nazário - totalmente esquecido na lista - e Dida. Um dos pontos altos foi o testemunho de Raí, ainda hoje ídolo do Paris Saint-Germain: "Os papéis se inverteram e hoje eu tenho o prazer de ver o Kaká jogando. Parabéns de um admirador", disse o ex-craque.
Minutos depois, na concorrida entrevista coletiva que concedeu ainda na sede da TF1, o laureado responderia. "Raí era o grande ídolo do São Paulo, quando eu dava meus primeiros passos no futebol. Ele me inspirou muito", afirmou, guardando palavras elogiosas também para Ronaldo, atual companheiro de Milan.
FIM DE ESPECULAÇÕES - De contrato renovado com o Milan e frente ao presidente de seu clube, o italiano Adriano Galliani, Kaká foi direto ao responder sobre a possibilidade de uma transferência futura para o Real Madri. "O Milan é um excelente clube. Estou muito feliz em Milão e não tenho razões para sair." Galliani respondeu: "É um jogador e um homem fantástico. E que continuará conosco."
Sem mencionar sua possível vitória no prêmio de melhor jogador do mundo da Fifa, Kaká limitou-se a projetar o futuro dentro dos campos. Para ele, vencer o Mundial Interclubes no Japão, do qual também participa, entre outros, o argentino Boca Juniors, campeão da Libertadores, é o desafio da vez. "Estamos nos preparando para a partida ao Japão. Ganhar esse mundial seria realmente a consagração."