Relatório americano é bem recebido pelo governo de Teerã
Teerã - O ministro das Relações Exteriores do Irã, Manouchehr Mottaki, recebeu com satisfação a decisão americana de revisar a acusação de que a república islâmica mantinha um programa nuclear bélico ativo.
"É natural que recebamos com satisfação a notícia de que um país corrigiu sua visão de forma mais realista depois de no passado questionar e apontar ambigüidades" nas atividades nucleares iranianas, declarou o chanceler.
Mottaki referia-se à conclusão dos serviços secretos americanos, divulgada na segunda-feira, segundo a qual o Irã parou de tentar desenvolver a bomba atômica em 2003.
De acordo com um novo relatório, as agências americanas de espionagem dispunham de informações segundo as quais o Irã teria abandonado a idéia de construir uma arma nuclear quatro anos atrás, apesar de ter mantido seu programa de enriquecimento de urânio. Os autores da análise concluíram ainda que o programa nuclear bélico iraniano continuava parado até pelo menos meados de 2007.
Para Mottaki, diversos relatórios recentes, inclusive um divulgado no mês passado pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), vinham mostrando que "as atividades nucleares iranianas têm caráter pacífico".
Mohammad Ali Hosseini, porta-voz da chancelaria iraniana, opinou que o novo relatório é uma prova de que as acusações americanas contra Teerã eram falsas e que a denúncia apresentada pelos EUA ao Conselho de Segurança (CS) da Organização das Nações Unidas (ONU) é ilegal.
"Declarações feitas por Bush (George W., presidente dos EUA) e por outros funcionários do governo americano, que falavam sem parar sobre os perigos do programa nuclear iraniano, são falsas e não confiáveis", declarou.
"Uma das conseqüências desse relatório é que a denúncia feita contra o Irã perante o Conselho de Segurança da ONU era ilegal porque, com base nesse relatório, o Irã não possuía um programa nuclear bélico em 2006, quando a denúncia foi feita", declarou.
Ainda não se sabe, entretanto, qual será o impacto do novo relatório sobre a pressão americana por um novo pacote de sanções contra o Irã.
Outros funcionários iranianos mostraram-se satisfeitos com o teor do novo relatório. Segundo eles, o documento prova que o programa nuclear iraniano é pacífico e "desarma" os integrantes do governo americano favoráveis a uma ação militar contra o Irã.
Nenhuma das autoridades iranianas ouvidas admitiu que a república islâmica tenha conduzido um programa de desenvolvimento de armas atômicas antes de 2003, como alega o relatório americano.
"Essa confissão, vinda das fileiras mais sensíveis do governo americano, é uma prova de que o programa nuclear iraniano é pacífico", disse o parlamentar Alaeddin Boroujerdi, citado pela Agência de Notícias da República Islâmica.
Elham Aminzadeh, outro deputado iraniano, observou que o novo relatório será um obstáculo aos funcionários americanos que ameaçavam promover uma ação militar para interromper as atividades nucleares iranianas. "Isso os desarmou. Isso prova que o Irã não representa um perigo para o mundo, conforme alegam muitos integrantes do governo Bush", declarou.
O resumo do relatório Análise de Inteligência Nacional sobre o Irã representa uma inesperada guinada na posição americana e às alegações feitas por Washington em 2005, quando o Irã foi acusado de concentrar esforços para construir uma bomba atômica.
Os Estados Unidos e outras potências ocidentais vinham acusando o Irã de desenvolver em segredo um programa nuclear bélico. O governo iraniano nega as acusações, assegura que suas usinas atômicas têm fins estritamente pacíficos de geração de energia elétrica e já declarou em diversas ocasiões que não pretende interromper suas atividades nucleares.
Relatório diminui perigo de programa nuclear do Irã