Novatos buscam aparecer na seleção olímpica
Teresópolis - Com exceção do atacante Alexandre Pato, do Milan, os jogadores da seleção olímpica convocados para o amistoso contra os melhores do Campeonato Brasileiro, domingo, no Engenhão, são desconhecidos da maioria do público. Numa equipe de muitas caras novas, até o torcedor fica perdido, sem saber quem é quem.
"Só conheço Pato e Toró (do Flamengo)", disse o marinheiro Wilson Ferreira da Silva, de 35 anos, que assistiu na quinta-feira ao segundo treino da seleção na Granja Comary, em Teresópolis (RJ). "Aliás, quem é o Pedro Ken?", indagou o torcedor, fazendo um trocadilho com o sobrenome do meia-atacante do Coritiba.
Muitos atletas chegaram a Teresópolis sem saber o nome dos companheiros de seleção. Mas o impasse foi quebrado logo na apresentação do grupo, na quarta-feira. "Jogador sabe se relacionar. Boleiro é boleiro. Isso não muda em lugar nenhum", declarou o volante Wagner, do Cruzeiro.
O meia Thiago Neves, do Fluminense, admitiu que conhecia poucos jogadores convocados pelo técnico Dunga e ainda teve de dividir o quarto com um "rival": o meia Toró, do Flamengo. "Há Fla-Flu até na Granja Comary. Mas ele é gente boa", brincou Thiago Neves
Houve até quem se preocupou em fazer uma ‘média’ com o chefe. "O Dunga chama todo mundo pelo nome", contou o zagueiro Léo, do Grêmio. No treino coletivo da quinta-feira à tarde, no entanto, o técnico foi econômico nas citações nominais, talvez com medo de cometer algum engano, e isso ficou evidente principalmente quando se dirigia aos reservas.
Numa atividade com muitas entradas ríspidas e com futebol de baixa qualidade, o empate sem gols fez valer o que se viu em campo durante o treino coletivo. Não havia bola perdida para os jovens jogadores, mas só isso não basta.
Durante o treino, a equipe titular montada pelo técnico Dunga teve Renan; Nei, Breno, Leandro Almeida e Leonardo; Ramires, Wagner, Charles e Diego Souza; Diogo e Alexandre Pato. Pedro Odoni e Toró entraram no segundo tempo, nas vagas de Diogo e Ramires, respectivamente.
Tamanha vontade nos treinos pode ser explicada pela alta concorrência. Dunga só pode relacionar 18 jogadores para a Olimpíada de Pequim, em agosto de 2008, já que três das vagas do grupo serão destinadas aos jogadores acima do limite de idade (23 anos). Por isso, a garotada não quer perder tempo. "É um teste de fogo", resumiu Wagner.
Dos 22 convocados para esse primeiro teste da seleção olímpica, cinco disputaram a Série B do Brasileiro. São eles: o lateral-direito Apodi, do Vitória (já negociado com o Cruzeiro), o lateral-esquerdo Leonardo e o atacante Diogo, ambos da Portuguesa, e o meia Pedro Ken e o atacante Keirrison, ambos do Coritiba. "É a primeira vez, que eu me lembre, que a seleção tem tantos jogadores oriundos da segunda divisão", disse o técnico Dunga.
Ao longo da história do futebol brasileiro, a seleção olímpica sempre reuniu craques, apesar de nunca ter faturado a medalha de ouro. A lembrança mais recente é de 2004. Na época, o Brasil, sob comando do técnico Ricardo Gomes, fracassou no torneio classificatório para a Olimpíada de Atenas. Foi eliminado por Chile e Argentina, mesmo tendo um grupo que contava com a dupla Diego e Robinho, campeã brasileira de 2002 pelo Santos, e o atacante Nilmar, que despontava no Internacional.
Em 2000, a seleção olímpica tinha os meias Ronaldinho Gaúcho e Alex, mas não obteve sucesso na Olimpíada da Sydney. Já em 1996, nos Jogos de Atlanta, novo fracasso, mesmo com Ronaldo e os experientes Rivaldo, Bebeto e Roberto Carlos, que não conseguiram mais do que a medalha de bronze.
INGRESSOS - A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anunciou que mais de 10 mil entradas já foram vendidas para a partida de domingo, no Estádio do Engenhão, no Rio. Como Muricy Ramalho não poderá comparecer ao amistoso, a seleção dos melhores do Brasileirão será comandada por Joel Santana e Caio Júnior. O time, no entanto, ainda não está definido. |