Governadores bolivianos aceitam desafio de Morales
La Paz - Pelo menos cinco governadores dos nove departamentos (estados) da Bolívia aceitaram na quinta-feira o desafio do presidente Evo Morales, para submeter a um referendo a continuidade dos seus mandatos, mas reclamaram ao mandatário que seja estabelecido um mecanismo que seja igual para todos.
O governador de Cochabamba, Mandred Reyes Villa, lembrou que ele foi o primeiro a pedir um referendo revogador de mandato, em janeiro, após camponeses partidários do governo de Morales, que exigiam sua renúncia, terem entrado em confronto com jovens da cidade na capital do departamento. O resultado daquele confronto foram duas mortes.
"Nós aceitamos esta proposta e esperamos que não seja uma cortina de fumaça, como foi antes (em janeiro), quando o governo apresentou o projeto de lei ao Congresso e não aconteceu absolutamente nada," disse Reyes, falando também por seus colegas, governadores de Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija. Em janeiro, o prefeito de La Paz, José Luis Paredes, aceitou a realização de um referendo.
Na noite de quinta-feira, Morales levou ao conhecimento público a proposta de um referendo revogatório para o próprio mandato, se os governadores de oposição concordarem em levar os próprios mandatos a uma consulta popular. Segundo ele, o referendo servirá para que o povo boliviano determine "quem está e quem não está," a favor das mudanças que propõe seu governo de esquerda. A apresentação do projeto de lei por Morales poderá ocorrer em breve.
A oposição aplaudiu a iniciativa e concordou que os referendos poderão ser a única saída para resolver a crise política na Bolívia, agravada pela decisão do partido governista Movimento ao Socialismo (MAS) de aprovar de maneira unilateral, em 24 de novembro, sem a oposição, seu projeto de Constituição, em um quartel próximo à Sucre. A manobra do MAS foi seguida por violentos protestos.
Reyes afirmou que em janeiro o presidente enviou um projeto ao Congresso que lhe daria privilégios e retiraria prerrogativas dos governadores. Por isso, o primeiro projeto de referendo revogatório de Morales foi então rechaçado.
O governador de Tarija, Mario Cossío, pediu então que o mandato do vice-presidente, Alvaro García Linera, também fosse submetido a referendo.
O governador de Pando, Leopoldo Fernández, manifestou na quinta-feira a suspeita de que o chamado de Morales pode ser uma manobra para deixar em segundo plano a aprovação da nova Constituição em outras instâncias. O MAS quer finalizar a aprovação na nova Constituição entre 12 e 14 de dezembro na Assembléia Constituinte.
O MAS insiste em transferir a Constituinte para a zona cocaleira da Bolívia, o Chapare, onde é forte o apoio político a Morales.
O ministro da Casa Civil, Juan Ramón Quintana, acusou na quinta-feira a oposição e os governadores opositores de tentarem boicotar a Assembléia Constituinte, com a "estratégia da morte," para desestabilizar o governo de Morales. |
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