Renault confirma volta de Alonso, em dupla com Nelsinho Piquet
Paris - A Renault confirmou na segunda-feira o que o mundo da Fórmula 1 já sabia há algumas semanas: o espanhol Fernando Alonso está de volta à equipe onde conquistou seus dois títulos mundiais, em 2005 e 2006, depois de uma passagem conturbada pela McLaren, e terá a seu lado o brasileiro Nelson Angelo Piquet, filho do tricampeão mundial Nelson Piquet, que foi piloto de testes da escuderia em 2007.
A Renault tampouco informou se Alonso terá prioridade de primeiro piloto, condição que o espanhol não teve na McLaren diante do então calouro Lewis Hamilton - que surpreendeu o mundo e acabou vice-campeão, com os mesmos 109 pontos de Alonso, mas com mais segundos lugares. Kimi Raikkonen levou o Mundial, com 110 pontos. Alonso protestou durante quase toda a temporada porque não tinha tratamento de bicampeão mundial, e, sem clima, acabou deixando a equipe.
Nelsinho, pelo menos no discurso, não se apresenta como a versão 2008 de Hamilton - para quem perdeu um disputado título da GP2, a categoria de acesso à F-1, em 2006. "É bicampeão do mundo, tenho tudo a aprender com ele", disse o brasileiro, que nasceu na Alemanha e sempre contou com o apoio do pai no caminho para chegar à F-1. "Meu retrospecto como piloto e o trabalho realizado nos testes me levaram a ser confirmado como titular. Trabalhei minha vida inteira para chegar este momento. Estrear na Fórmula 1 num time de ponta é um privilégio." No GP do Brasil em outubro, quando a possibilidade de ser companheiro de Alonso ainda era especulação, Nelsinho admitiu: "Eu ainda não estreei na Fórmula 1, é normal que ele tenha algumas preferências, mas se eu for veloz também, a equipe dividirá as atenções".
O último brasileiro a estrear na F-1 num time de ponta foi Emerson Fittipaldi, que começou em 1970 na Lotus, no meio da temporada, ao lado do austríaco Jochen Rindt. Venceu a penúltima corrida do ano, nos Estados Unidos, e garantiu o único título póstumo da história da categoria ao companheiro, morto um mês antes.
EM BAIXA - A verdade, porém, é que a Renault não está tão em alta quanto no fim de 2006, quando Alonso foi embora. Neste ano, com Heikki Kovalainen e Giancarlo Fisichella, a equipe amargou o terceiro lugar no Mundial de Construtores, atrás de Ferrari e BMW - a McLaren foi eliminado -, e com apenas um pódio, de Kovalainen no Japão, antepenúltima prova da temporada. "Gostaria de agradecer a eles pelo trabalho duro durante essa complicada temporada", afirmou o chefe da equipe, Flavio Briatore.
O desafio de Alonso e Nelsinho para tornar a equipe novamente competitiva começa no dia 22 de janeiro, em Valência, na Espanha "Estou confiante. Penso que as escuderias que tiveram problemas na adaptação para os pneus Bridgestone, como a Renault, deverão vir bem mais fortes agora", disse o espanhol de 26 anos, na nota oficial emitida pela Renault.
Nelsinho está otimista por causa de sua boa relação com o grupo de profissionais, construída durante a temporada de testes e reuniões. "Nelsinho representa um grande talento da nova geração", definiu Briatore. "Eu navego em todas as áreas da Renault também por falar as línguas que são faladas, francês, inglês e italiano", completou Nelsinho. Seu pai comentou na segunda: "Estou muito feliz, esse sonho do Nelsinho era o meu também para ele".
Sobre o retorno à Renault, comentou: "Foi aqui que eu cresci como piloto de Fórmula 1. É hora de começar novo capítulo." Explorou mais, depois, sua projeção para 2008. "Ninguém pode afirmar o que acontecerá, escuderias como a Ferrari serão sempre favoritas, nós pretendemos nos aproximar mais do pódio a princípio, a Renault sofreu mais do que o suficiente este ano." Alonso e Nelsinho irão dispor do mesmo grupo de técnicos responsáveis pelos títulos da equipe em 2005 e 2006. "Toda a estrutura está mantida", afirmou Briatore.
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