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12.12.2007 imprimir Imprimir
 

A Nova York mais amada pelos locais

Nova York pretende acabar de vez com o fantasma do 11 de setembro. Ao menos, no que diz respeito aos turistas. A cidade volta a investir em turismo após 30 anos da criação da histórica campanha "I love New York", disposta a derrubar mitos e a reconquistar a simpatia perdida com os últimos seis anos de guerra dos Estados Unidos no Oriente Médio.

É uma tarefa difícil. O discurso oficial não deixou de ser segurança. Mas agora com um novo atrativo: as autoridades entenderam que os visitantes estão mais preocupados com a falta de educação dos motoristas de táxi do que propriamente com o terrorismo.

A cidade lançou neste ano a campanha "Just ask the locals" (Pergunte aos moradores locais), que está recebendo investimentos de US$ 5,6 milhões, com o objetivo de incentivar os turistas a interagir com os habitantes da região. O governo garante: é apenas mito que o novaiorquino seja mal-humorado.

Uma pesquisa feita pela revista Reader´s Digest, publicada em julho de 2006, mostrou que Nova York, quem diria, foi considerada a cidade mais cortês do mundo, com 80% de votos, seguida pela suíça Zurique (77%) e pela canadense Toronto (70%). São Paulo e alemã Berlim empataram com 68% de votos.

Aos que duvidam, vale o teste: converse com os locais. Eles podem surpreender. O novaiorquino é pragmático e entende a importância do turismo para a economia local. Há dois anos, a cidade finalmente conseguiu recuperar o número de visitantes estrangeiros que recebeu em 2000, de 6,8 milhões. Uma boa recuperação, já que, devido às exigência governamentais para a entrada de estrangeiros em 2003 a cidade recebeu apenas 4,8 milhões de turistas.

Para atingir estes resultados, o trabalho tem sido árduo. Com um receptivo de causar inveja, a cidade promete garantir ao turista uma experiência única. Mas para vivenciá-la, é preciso esquecer idéias pré-concebidas. Aos que passaram anos visitando Nova York apenas como paraíso de compras, uma dica: Miami ainda é mais barata e, aliás, bem mais próxima dos brasileiros.

O recado de Nova York aos turistas é que não limitem seu potencial. De fato, a cidade é qualquer coisa - menos previsível. Como um camaleão, Nova York adapta-se a seu estilo, não o contrário. Por isso, aos que pretendem visitá-la pela primeira vez, ou buscam algo mais numa próxima viagem à Big Apple, vale começar o planejamento pelo portal do NYC & Company (www.nycvisit.com). Ali, há uma área em que é possível descobrir que tipo de novaiorquino você é (ver ilustração).

Qual o seu estilo? Romântico, família, aventureiro, cultural, fashion, esportivo? Não importa. A cidade garante a atração certa para você. Outra forma de conhecer Nova York é a partir das dicas de famosos. Já no aeroporto você vai encontrar indicações de personalidades sobre roteiros interessantes e locais pouco conhecidos.

Cartazes em inglês, espanhol, francês e japonês espalhados pelos bairros, em pontos de ônibus e aeroportos, além de mapas e pequenos roteiros, também trazem mais recomendações - com os respectivos telefones para outras informações - de moradores célebres, como os atores Robert De Niro, Julianne Moore e Jimmy Fallon e o jogador de futebol americano Tiki Barber.

Aos que viajam com crianças, por exemplo, vale seguir o conselho da atriz Julianne Moore e fazer um passeio pelo West Village Walk e conhecer o Bleecker Street Playground, na intersecção da rua Hudson com a 11th Street. Menos famoso que o gigante Central Park, mas tão charmoso quanto, o parque tem uma estrutura completa de brinquedos para distrair a criançada. Além de estar bem-localizado, em uma região com restaurantes e várias lojinhas, principalmente, não por acaso, de roupas infantis.

Para quem prefere longos passeios a pé, a dica do comediante Jimmy Fallon é perfeita: um passeio seguindo pelo Brooklyn até Manhattan. Se você começar ao entardecer vai poder apreciar o pôr-do-sol enquanto atravessa a Ponte do Brooklyn. O roteiro inclui o bairro Gramercy Park, do lado leste, um dos favoritos do ator, que ao lado da Union Square, guarda os resquícios da bem-preservada Nova York do século XIX. Claro que há também os roteiros clássicos no local, como a famosa livraria Barnes & Nobles, considerada a maior do mundo, mas que não impressiona.

É provável que você se distraia vendo a arquitetura e a movimentação na praça e deixe a livraria de lado, especialmente se continuar seguindo a dica até a Petes Tavern, uma das mais antigas tavernas de Nova York, na esquina da 18th Street com a rua Irving. O ambiente é ótimo, os preços, acreditem, são módicos comparados ao "padrão" novaiorquino, e o atendimento excelente.

Quando perguntei ao garçom se o "Jimmy" era visitante freqüente, ele disse que sim e perguntou se a indicação havia sido dele. Quase fiquei tentada a dizer que sim, mas contei a verdade. O restaurante não sabia que fazia parte da campanha de marketing da prefeitura. A surpresa (e simpatia) do proprietário foi tanta que acabei ganhando a sobremesa.

 
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