Nova técnica aumenta esperança de pacientes com câncer de estômago
São Paulo - Uma técnica cirúrgica está devolvendo alguma esperança para pacientes com câncer em estágio avançado. Batizada de citurredução (redução das células tumorais), é utilizada nos casos em que a doença atinge os órgãos da cavidade abdominal e apresenta metástase.
A solução empregada hoje por médicos brasileiros no Hospital das Clínicas (HC), Sírio Libânes e A.C. Camargo começou a ser desenvolvida em 1995 pelo cirurgião americano Paul Sugarbaker, do Washington Cancer Institute. A técnica consiste na retirada de todos os tumores visíveis e na aplicação direta nos órgãos de uma solução quimioterápica.
Durante a operação, a solução circula no abdome durante uma hora e meia a temperaturas de até 42°C, o que potencializa a ação da droga.
Os órgãos abdominais são envolvidos por uma substância, o líquido peritonial, que impede a aderência entre eles. Esse mesmo líquido pode ajudar a célula tumoral a se espalhar e atingir o peritônio - membrana que envolve a cavidade abdominal.
A técnica começou a ser usada em tumores com origem no peritônio na segunda-feira, essa indicação se estende para casos de câncer de intestino e ovário. Para o câncer de estômago ainda se discute a viabilidade do uso da citorredução.
Alguns tipos de câncer, como o de ovário, normalmente são descobertos já nessa fase. "Cada tumor tem um comportamento distinto", diz Eduardo Akaishi, cirurgião oncológico do Hospital das Clínicas (HC) e Sírio Libanês, um dos pioneiros da técnica no Brasil.
Após se espalharem pelo peritônio, os tumores começam a penetrar nos órgãos e causar aderência entre eles. O resultado é a obstrução do intestino, o que leva à morte. "Até pouco tempo, quando se encontrava uma pequena quantidade de tumores no peritônio, considerava-se o caso perdido", diz.
Como o peritônio é uma película fina e pouco vascularizada, a quimioterapia venosa tem pouco efeito. Ao lado das células tumorais visíveis podem existir uma série de outras não visíveis por isso apenas a cirurgia para a remoção dos tumores não tem bons resultados.
A técnica criada pelo médico americano é aplicada em cirurgias que podem durar até 32 horas. No caso da administradora de empresas Paula de Assis Palma Sarote, de 33 anos, foram 22 horas Em 2002, ela descobriu um câncer de ovário em estágio avançado. Em três anos passou por sete cirurgias para a retirada dos ovários, útero e parte do diafragma, além de uma rotina de sessões de quimioterapia. "Fazia quimio e melhorava, mas depois piorava", diz.
Em setembro de 2005 chegou ao Sírio Libanês pelas mãos de Akaishi. "Os médicos me davam 10% de chance de sobrevivência", diz. "Se não tivesse feito essa operação, tenho certeza de que estaria morta."
A técnica ainda não faz parte do rol de procedimentos oncológicos do Ministério da Saúde, mas no A.C. Camargo - fundação filantrópica -, por exemplo, acaba sendo feita sem custos para os pacientes. "Há cerca de dois anos mandamos ao Inca um pedido para que padronize essa técnica", diz Benedito Mauro Rossi, cirurgião oncológico do A.C. Camargo. |
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