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19.12.2007 imprimir Imprimir
 

Varig ressuscita como companhia de fretamento

São Paulo - Depois de adiar seu lançamento por duas ou três vezes, a Flex se prepara para iniciar as operações em fevereiro como uma empresa de fretamento. Velha Varig rebatizada, a Flex vai estrear com um Boeing 737. A intenção é encerrar o ano com seis aeronaves.

O plano de recuperação judicial determina que a "velha Varig" volte a voar. Não importa se a operação será rentável ou não, a empresa terá de voltar a voar para cumprir o plano e evitar a falência. Caso contrário, toda a operação montada para salvar a Varig entra em colapso. No caso de falência, credores baterão na porta da Gol, que comprou a unidade produtiva isolada da Varig, hoje VRG. E o principal ativo da empresa, a ação judicial contra a União por conta de perdas provocadas por planos econômicos passados, no valor de R$ 3 bilhões a R$ 5 bilhões, não irá para o trabalhador ou para o fundo de pensão. Com a falência, a prioridade no recebimento dos créditos vai para a Receita Federal.

Segundo o gestor judicial Miguel Dau, responsável pelo plano operacional da Flex, a idéia de iniciar com fretamento é uma forma de diminuir os riscos da operação. "Só vamos iniciar as operações regulares quando conseguirmos reaver os R$ 108 milhões devidos pela VarigLog e pela VRG", afirma Miguel Dau, que acredita estar diante de uma escolha de Sofia. "O que fazer, iniciar uma operação com chances de dar prejuízo ou não iniciar a operação e ver a falência da empresa decretada?"

Dau conta com a liberação desses recursos até no máximo no mês de outubro, que é quando acaba o caixa da empresa remanescente, de aproximadamente R$ 20 milhões. "O dinheiro a receber é suficiente para alavancar a Flex." No entanto, diante das dificuldades da VarigLog, que em meio a uma briga entre os sócios está atrasando salários e fornecedores, dificilmente a empresa conseguirá recuperar todo esse dinheiro. "A negociação com a VarigLog está confusa, mas com a VRG está indo bem."

Dau assumiu a gestão da empresa com R$ 1 milhão em caixa em agosto de 2006. Hoje ela gera uma receita mensal de R$ 2 milhões, mas tem um gasto mensal de R$ 4 milhões. "Só de Refis eu gasto R$ 760 mil ao mês", diz Dau. Soma-se a isso os custos da recuperação judicial - advogados e administradores judiciais - e os investimentos para a montagem da operação da Flex.

Debêntures – Hoje (quarta-feira 19), os credores deverão votar a proposta da Gol/VRG de antecipar o pagamento de duas debêntures no valor, previsto originalmente para 2017. A expectativa é de que os credores aprovem a proposta. Com isso, cerca de R$ 55 milhões irá para a conta de trabalhadores, que têm a receber R$ 500 milhões.

Outros R$ 35 milhões irão para caixa do fundo de pensão Aerus, garantindo a continuidade do pagamento de pensões, ainda que não no valor integral, durante oito meses. O restante servirá para pagar outros credores com garantias.

 
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