Um set de curiosidades
Atento às curiosidades que o choque cultural pode causar, me chama à atenção a influência que o inglês causa ao português e vice-versa. O uso contínuo e misturado da língua acaba dando origem a novas palavras, criando novos significados, novos verbos, situações inusitadas e, por que não dizer, até mesmo enriquecendo uma a outra. E para tentar apresentar uma boa performance sobre o conteúdo, tentarei usar o máximo do meu know-how e deixar tudo o mais clean possível.
Há um tempo atrás, essa questão foi levantada pelo músico Zeca Baleiro, que compôs o “Samba do Approach”, onde ele manuseia com muita habilidade e borogodó o jogo de palavras para explorar esse encaixe dos idiomas.
Se utilizarmos a visão da língua portuguesa, é fácil perceber que certas palavras que foram emprestadas não apresentam tradução, mantendo sua forma original. Ou será que mesmo os brasileiros que moram nos EUA sabem alguma outra definição para jeans? E comida light ou diet? Por sua vez, se repararmos o contrário, vemos que não há tradução nem para samba, feijoada ou caipirinha.
Não somos tão puristas da língua quanto nossos parentes mais próximos lingüisticamente, os falantes da língua espanhola. Não quero entrar no mérito de se isso é bom ou ruim, pois é uma característica cultural, e, portanto, vamos nos ater a isso como uma diferença curiosa e bonitinha. Nós temos Big Brother, mas não chamamos o BBB de Grande Irmão e ainda aceitamos que Paul e William continuem sendo chamados por seus respectivos nomes. No entanto, sendo purista ou não, ou ainda que você não seja alguém muito atento ao uso da língua materna, têm certas coisas que são feias. Isso mesmo: feias! Falado do mesmo jeito que a sua mãe quando o repreendia por fazer coisas erradas.
Poucos deslizes lingüísticos soam mais feio do que o “futuro do gerúndio”, ou ainda, se preferir a tradução literal, do que o “futuro contínuo”. É feio dizer que você vai estar conferindo a agenda e depois vai estar retornando para dar uma posição. É feio porque este tempo verbal não existe em português. Não existe mesmo. E eu juro, pela última flor do Lácio mortinha, que não existe. Esse mau uso é uma tradução literal do tempo verbal Future Continuous, que é usado em situações bem específicas, como quando se olha pro futuro em um momento específico e se vê uma ação em andamento, do tipo, “tomorrow, by this time, I´ll be flying to London” ou ainda quando você se esquiva de fazer algo porque já terá outra coisa acontecendo, como “I can’t meet you at 5 pm because I´ll be working, can we make it at 7?”. Notamos então que mesmo no inglês as pessoas não saem usando o futuro contínuo a esmo pra falar de coisas planejadas, pra isso se usa o modal will ou o futuro com going to. Especula-se que isso se embrenhou no nosso dia-a-dia por meio de traduções literais de apostilas de telemarketing que já fazia o erro crasso (pequeno deslize, pra não me chamarem de radical) em sua mother tongue. Mas o que irrita mesmo, é que isso não é dito com a humildade de quem, por algum motivo na vida, não teve a oportunidade de estudar tanto quanto merecia e comete deslizes e erros de concordância. O que mata é o ar arrogante de quem fala assim e acha que é muito formal e sofisticado. E isso é difícil de perdoar.
Por hora, ficamos por aqui. Na próxima edição, “vamos estar falando” (ops!! Brincadeirinha!!), falaremos um pouco mais sobre assunto, contando situações curiosas decorrentes desses mal entendidos. Feliz Natal a todos! |