Rebeca Gusmão perdeu medalhas do Pan por DNAs distintos
São Paulo - O resultado do exame que apontou dois DNAs diferentes em amostras da urina de Rebeca Gusmão foi o que levou a Organização Desportiva Pan-Americana (Odepa) a tirar as quatro medalhas que a nadadora brasileira ganhou nos Jogos Pan-Americanos do Rio - na competição, disputada em julho, ela conquistou duas de ouro, nos 50 e 100 metros livre, além da prata no revezamento 4x100 metros livre e do bronze no 4x100 metros medley.
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No primeiro comunicado, enviado ao Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e divulgado na última terça-feira, a Odepa fala "em resultados analíticos adversos" para justificar a decisão de desclassificar a nadadora brasileira. Mas numa segunda nota a entidade esclarece que o motivo foi o caso da fraude do DNA no exame de Rebeca.
A primeira nota da Odepa causou confusão porque Rebeca, de 22 anos, também está envolvida em outro processo. Teve antidoping positivo para testosterona exógena em controle feito a pedido da Federação Internacional de Natação (Fina) no dia 13 de julho, véspera do início das competições de natação no Pan, considerado fora de competição.
Por conta disso, Rebeca foi suspensa provisoriamente depois do resultado positivo. E a análise da contraprova está em andamento em um laboratório de Montreal, no Canadá - o resultado ainda não foi divulgado e será enviado diretamente à Fina.
"Foi feito o perfil hormonal das quatro amostras da atleta, colhidas durante o Pan, que indicaram um resultado anômalo para a amostra de 12 de julho em comparação com as demais. Por isso, o presidente da Comissão Médica (o brasileiro Eduardo De Rose) decidiu solicitar ao Laboratório Sonda um estudo do DNA das amostras dos dias 12 e 18 de julho", informa o documento da Odepa, antes de explicar porque cassou as medalhas de Rebeca: a Corte Arbitral de Esportes (CAS) considera que organizações antidoping podem usar o DNA para evidenciar ofensa ao código da Agência Mundial Antidoping (Wada). "A conclusão do Laboratório Sonda foi de que os DNAs de duas das amostras são distintos, provêm de doadores diferentes, o que indica a manipulação física da urina por parte da atleta e uma infração às regras antidoping", diz o comunicado.
O caso de fraude nos exames antidoping de Rebeca no Pan está sendo investigado pela Delegacia de Crimes contra a Saúde Pública do Rio - o delegado Marcos Cipriano enviou o inquérito ao Ministério Público sem indiciar ninguém. A defesa da nadadora pretende provar que houve manipulação dos frascos usados para os exames de DNA e que ela não teve espaço para se defender no caso da Odepa. |
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