Jogador do Bahia morre aos 31 anos
Salvador - O meia Cléberson Luciano Frolich (conhecido como Cléber), de 31 anos, teve morte cerebral diagnosticada na quinta-feira, em Salvador, praticamente dois meses após ser internado, em Natal, vítima de um aneurisma cerebral. Ele sofreu o acidente vascular em 22 de outubro, um dia depois de ver seu time ser derrotado pelo ABC-RN, por 4 a 3 - o jogador do Bahia, no entanto, não atuou naquele jogo.
Segundo o vice-presidente médico do Bahia, Marcos Lopes, que acompanhou a evolução clínica do atleta desde o início, o quadro geral de Cléber mantinha-se grave - o jogador nunca saiu do coma depois de sofrer o aneurisma -, mas estável até dez dias atrás, quando ele foi acometido de uma meningite, no Hospital Espanhol, em Salvador, para onde foi transferido em 31 de outubro.
Na tarde de quarta-feira, Cléber sofreu mais um aneurisma e a equipe médica que o acompanha declarou que seu estado de saúde era crítico. Marco Lopes afirmou que, apesar do diagnóstico de morte cerebral, o coração do jogador continua batendo, animado por equipamentos externos, e há sinais vitais em alguns órgãos.
"Agora, a família deve decidir se autoriza o desligamento dos aparelhos", explicou o médico do Bahia. Os aparelhos podem ser desligados a partir da conclusão do protocolo de morte encefálica, 24 horas após o diagnóstico inicial - registrado em boletim médico às 10h30 da quinta-feira.
A família de Cléber decidiu doar os órgãos do atleta, tão logo os aparelhos sejam desligados. Ontem o corpo foi transladado para Novo Hamburgo (RS), onde ele nasceu. A direção do Bahia comprometeu-se a arcar com o transporte e com as passagens dos familiares que acompanhavam o jogador.
HISTÓRICO - Nascido em 13 de julho de 1976, Cléber era casado e tinha duas filhas - de 1 e 4 anos. Começou no futebol jogando no XV de Novembro de Campo Bom (RS). Ainda em gramados gaúchos, defendeu Ulbra, Grêmio e Juventude, depois foi para o Paraná, onde atuou no Toledo e no Coritiba. Em São Paulo, passou por Mogi Mirim e Portuguesa.
Neste ano, ele defendeu o Vitória no Campeonato Baiano. Pouco aproveitado pelo então técnico Givanildo Oliveira, Cléber foi jogar pelo rival Bahia na Série C do Brasileiro. A última partida em que atuou foi em 3 de outubro, na vitória sobre o Fast, por 1 a 0, na Fonte Nova. O jogo marcou a classificação do time baiano ao octogonal decisivo do campeonato.
AVALIAÇÃO MÉDICA - Segundo Marco Lopes, os problemas de Cléber não tinham nenhuma relação com futebol. Mesmo porque, o jogador sofreu o primeiro acidente vascular cerebral (AVC) após um jogo em que não entrou em campo. "Ele não participou daquele jogo, ficou no banco de reservas", contou o médico do Bahia. "O Cléber teve o problema na manhã seguinte, foi internado imediatamente e nunca mais se recuperou do coma."
Marco Lopes contou que o Bahia fez tomografia computadorizada e ressonância magnética no jogador, mas que esses exames não detectaram o problema. "Só uma angiografia cerebral poderia ajudar a descobrir a doença, mas é um exame muito invasivo, que nunca é feito por nenhum clube de futebol", declarou o médico. |
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