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22.12.2007 imprimir Imprimir
 

Inglês/Português: que idioma o imigrante irá falar?
Por Amanda Oliveira

Imigrantes brasileiros chegam aos Estados Unidos todos os dias. Muitos aqui se estabelecem, começam a trabalhar, arrumam casa para morar, casam com brasileiros, ou não, e tem filhos. E é nesse momento que surge a pergunta: E agora? Que idioma ele vai falar? Muitas crianças, filhos de brasileiros, não sabem falar português e dos que sabem a maioria não consegue ler ou escrever no idioma.

O fato é que crianças, em geral, têm muita facilidade em aprender. Mesmo assim elas precisam ser estimuladas e encorajadas. Nem sempre os pais fazem isso. Alguns porque acham que dá muito “trabalho”, outros porque acreditam que falar inglês é muito melhor. Sem perceber tiram a oportunidade do filho de ser bílingue desde a infância.

Pensando nisso Cristhiane Vieira-Rozenblit, criou a Brazil-ahead, escola de ensino da língua portuguesa. Cristiane é formada em Letras no Brasil e abriu a sua própria escola em maio desse ano. Ela já havia trabalhado em outra instituição de ensino de idiomas e dado aulas particulares. Além disso, casada com um americano e com um filho de três anos ela começou a pensarna questão: “Através do meu filho que fala três línguas dentro de casa eu comecei a observar a necessidade de: ‘Peraí! Ele vai falar português e vai ficar analfabeto praticamente sem escrever, nem ler.’ Bom, eu pensei, o primeiro passo eu já to fazendo que é dar a parte oral.”

Seu filho foi seu primeiro aluno. O primeiro passo foi ensinar o sistema silábico do idioma português. Uma das preocupações era não confundir a cabeça dele: “Começou a funcionar pedindo pra ele colocar letrinhas na frente do nome dele que é Uri. Ele coloca M fica Muri. Ele morre de rir.”

Outro passo é o uso de um quadro para identificar os dias da semana: “Eu coloco ali: que dia é hoje? Usando sábado, domingo e os outros dias. ‘Qual cor você acha que é segunda?’ Muitas crianças pintam cinza. ‘Qual cor você acha que é sábado?’,  ‘Azul’. E eu coloco lá, no quadro, que dia é hoje, eles vêem e falam: ‘olha que barato’. Então eles estão visualizando aquilo, todo dia. ‘Que dia é hoje? Ontem foi segunda e hoje?’, ‘Terça’, ‘Vamos pegar o papelzinho da terça’ daí eles vão lá e colocam lá no quadro.”

No processo de ensino ela ainda utiliza fotografias, músicas, vídeos, e dependendo da idade, programas de tv infantis do Brasil. Atlas coloridos também fazem parte, pois, de acordo com ela, os pais que a procuram não estão somente preocupados se os filhos irão ler e escrever em português. Eles querem que seus filhos saibam sobre a cultura do Brasil. Ela tem alunos de 4, 5 anos e também pré-adolescentes de 10, 11 anos: “É completamente diferente. É puberdade, adolescência, você já tem que mexer mais com: ‘Qual é a sua agenda semanal?’ ‘Olha eu faço ginástica num dia, faço isso no outro...”

Aguçar a curiosidade das crianças é parte do processo, tornando ainda mais importante criar esse interesse na criança:  “Quando você cria isso dentro de casa a criança não fica de má vontade.” Segundo ela é fundamental que, ainda que os filhos tenham aulas da língua, os pais dêem continuidade ao trabalho e assim não transformem o aprendizado em algo isolado do cotidiano: “Não deixa a língua morrer. E eu entendo que muitas pessoas tem vontade e gostam de falar inglês, como eu também gosto. Mas é tão precioso dar isso pro seu filho ou pra tua filha. Falar com eles que você pode aprender outra língua não só porque é da mãe e do pai, mas é uma outra língua, é uma outra cultura.”

Pessolmente, Cristiane só fala em português com o filho e é essa consistência que ele aponta como sucesso do aprendizado das criancas durante o processo: “O segredo é consistência, ser consistente. A língua tem que ser ensinada de maneira consistente e tem que ser falada sempre. Eu falo francês, mas não adianta porque eu não falo inglês em casa todo dia. Por que eu vou expô-lo a uma coisa que eu não vou dar continuidade? Esse é o segredo. Isso depende dos pais e se eles fizerem isso tranquilo. Vai ser tudo de bom.”

Infomações sobre a Brasil-ahead no telefone (646) 567-7133 ou no site: www.brazil-ahead.com

 
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