EUA enfrentam primeira onda de aposentadorias de 'baby-boomers' em 2008
A americana Kathleen Casey-Kirschling, oficialmente a primeira criança do "baby-boom" nos Estados Unidos, fará valer seus direitos de aposentadoria em janeiro, marcando o início de um movimento de amplas repercussões econômicas, políticas e sociais.
Nascida em 1ª de janeiro 1946, esta jovem vovó de New Jersey (leste do país) é a primeira de uma multidão de 80 milhões de americanos nascidos entre 1946 e 1964.
Segundo diversas estimativas, o custo deste movimento demográfico em termos de assistência social e seguro-saúde deve ser de entre US$ 40 trilhões e US$ 76 trilhões nos próximos 75 anos.
"A América está diante de um rolo compressor demográfico", afirmou Brent Green, consultor de marketing e autor de um blog chamado "Boomers". "Um terço da população terá mais de 50 anos daqui a 2010", destacou.
"Estes 'baby-boomers' transformaram a sociedade americana", comentou Leonard Steinhorn, professor da American University, lembrando que eles realizaram ou apoiaram a maioria dos "grandes movimentos cívicos que fizeram os americanos e as liberdades progredirem": o movimento para os direitos civis, o feminismo, os direitos humanos, o meio ambiente, a defesa dos consumidores...
"Não é uma geração que vai sair de campo e não vai fazer mais nada", disse. Segundo eles, os "baby-boomers" vão aos poucos dar à política o tom mais progressista da sociedade, na medida em que forem substituindo a geração anterior, mais conservadora e que ainda continua tendo um peso considerável.
Em termos de consumo, os especialistas em marketing mantêm a idéia de um "mito segundo o qual as pessoas mais velhas se mantêm fiéis às suas marcas habituais e não são consumidores muito interessantes. Mas são os consumidores de idade madura que têm todo o dinheiro", destacou David Baxter, do gabinete Age Wave, com sede na Califórnia e especializado na camada social de mais de 50 anos.
Os americanos desta faixa etária têm juntos bilhões de dólares de renda disponíveis e controlam 67% da riqueza do país, segundo o site Eons, rede social especializada em "seniors".
Os baby-boomers são adeptos à tecnologia e à internet: segundo pesquisa do Instituto Pew (Pew Internet Life Project), os dois terços da faixa dos 50-58 anos tinham acesso à internet em 2004, uma proporção similar a dos 28-39 anos.
Além disso, quase a metade dos americanos tem projetos de compra de imóveis para a aposentadoria e, segundo pesquisa da Merrill Lynch, 71% das pessoas entrevistadas desejam continuar trabalhando de uma forma ou de outra.
"Se fomos hippies nos anos 60 e 70, yuppies nos anos 80 e 90, quem somos agora?", escreveu Carol Orsborn, uma responsável das relações públicas que tem um blog de "boomers". "A uma idade em que esperam que a gente morra, nós não nos aposentamos, temos uma vontade de assumir novas responsabilidades na vida", respondeu.
Isto é o que faz David Baxter dizer que os Estados Unidos estão mais bem preparados do que a Europa ou o Japão para enfrentar as conseqüências econômicas da onda de aposentadorias que está chegando, porque além de uma legislação trabalhista mais flexível e principalmente da interdição da aposentadoria compulsória têm uma "política de imigração mais liberal". |