Lula reclama da derrubada da CPMF, em pronunciamento de fim de ano
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva festejou ontem, no pronunciamento de fim de ano, o crescimento do Brasil, que deve alcançar 5% este ano, e a queda do desemprego a níveis históricos. Mas não esqueceu de reclamar da derrubada da CPMF pelo Congresso, que irá tirar R$ 40 bilhões do orçamento da União em 2008. Em sua fala, Lula afirmou que alguns dos projetos na área de saúde para o próximo ano ficaram "truncados" pela perda dos recursos.
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"Na saúde, no começo de dezembro, lançamos o PAC, que destinaria até 2010 mais de R$ 24 bilhões para o setor. Entre outras coisas, todas as crianças das escolas públicas passariam a ter consultas médicas regulares, inclusive com dentistas e oculistas. Infelizmente, esse processo foi truncado com a derrubada da CPMF, responsável em boa medida pelos investimentos na Saúde", afirmou.
"Como democrata, respeito a decisão tomada pelo Congresso. E estou convencido de que o governo, o Congresso e a sociedade juntos encontrarão uma solução para o problema."
Essa foi a única citação feita pelo presidente à maior derrota sofrida pelo governo esse ano no Congresso. Já no dia anterior (26), o ministro das Relações Institucionais, José Múcio, afirmou que a CPMF não seria o centro do pronunciamento presidencial porque "final de ano não é época para se falar de impostos". A fala, no entanto, consegue jogar para o Congresso o ônus do governo ter que cortar programas na área social.
No restante de seu pronunciamento, Lula comemora o que considera as boas notícias do Brasil este ano. Anuncia o provável crescimento de 5% do Produto Interno Bruto para este ano, meta que a equipe econômica informou essa semana que o País deve ter atingido. E o fato do País ter ultrapassado a meta, anunciada ainda na sua primeira campanha à Presidência, da criação de um milhão de empregos.
"Já podemos dizer com certeza que nossa economia cresceu mais de 5% em 2007. E 2008 será também muito bom, pois estamos iniciando o ano com um ritmo bem vigoroso", disse. "O desemprego está em queda. De janeiro a novembro criamos 1,936 milhão de empregos com carteira assinada, um recorde histórico. Segundo o IBGE, o índice de desemprego no mês passado foi de 8,2%, o mais baixo de toda a história dessa pesquisa." De acordo com o presidente, finalmente o Brasil estaria criando um "amplo mercado de massas" e "14 milhões de brasileiros ingressaram nessa nova classe média".
Lula comemorou também o resultado do Índice de Desenvolvimento Humano preparado pela Organização das Nações Unidas (ONU) e que este ano incluiu o Brasil, pela primeira vez, entre os Países de Alto Desenvolvimento Humano. "É sinal de que nossa luta contra a pobreza, através de programas como o Bolsa Família, está dando certo. Isso mostra que a inclusão social não é apenas uma expressão bonita e desejada, e sim uma realidade", afirmou. No lançamento do resultado do IDH, há cerca de um mês, o governo não comemorou tanto. Os dados foram vistos com reserva já que se acredita que o País possa ter melhorado ainda mais e os números não refletiriam a realidade atual.
O Programa de Aceleração do Crescimento e a redução do desmatamento na floresta amazônica também entraram na lista de boas coisas divulgadas pelo presidente. Mas, pelo menos em relação ao desmatamento, as notícias não são tão boas como apresentadas. Esta semana, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, admitiu que a derrubada das florestas pode ter subido 10% este ano.
É nas áreas de segurança, saúde e educação que Lula prometeu que o governo vai investir mais no próximo ano - mesmo com a ressalva de que os programas de Saúde poderão ser prejudicados sem a CPMF. "As boas notícias na economia e em outros setores criaram um novo clima no País. Hoje há mais brasileiros olhando para o futuro com esperança", afirmou. "Nada disso está ocorrendo por acaso. É fruto do trabalho e das escolhas feitas pelo povo e pelo governo. É fruto da participação social e do funcionamento da democracia. Estamos colhendo o que plantamos".
O presidente ainda agradeceu, no início da sua fala, aos que o apoiaram e aos que o criticaram ao longo de 2007. E terminou sua fala afirmando ter fé que "somos um povo capaz de enfrentar as maiores dificuldades e resolver qualquer problema". "Fizemos isso em momentos muito mais difíceis. Certamente podermos fazer muito mais agora, quando o Brasil encontrou seu rumo e está no caminho certo", disse. |