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29.12.2007 imprimir Imprimir
 

BC alerta para aumento de incerteza com superaquecimento econômico

Brasília - O Banco Central (BC) alertou na quinta-feira que o superaquecimento da economia, impulsionada pelo crédito mais barato e comemorado pelos brasileiros no Natal, aumenta as incertezas sobre a futura evolução da inflação e constitui fator "tão ou mais importante" que as ameaças do cenário externo. As projeções para 2008, anunciadas na quinta-feira pelo diretor de Política Econômica do BC, Mário Mesquita, apontam para uma inflação de 4 3% em 2008, um décimo de ponto porcentual acima da previsão divulgada em setembro, mas dentro da meta de 4,5%.

"A nossa avaliação é de que o balanço dos riscos de inflação se deteriorou", afirma Mesquita. "O processo inflacionário nunca começa de forma uniforme, e nossa função é evitar que processos localizados se tornem generalizados."

A estimativa do BC é que a inflação medida pelo IPCA feche este ano em 4,3% e o Produto Interno Bruto, com expansão real de 5,2%. Para o próximo ano, as projeções do BC indicam crescimento econômico de 4,5%, menor do que o esperado pela equipe do Ministério da Fazenda.

Em tese, esses investimentos contribuem para ampliar a oferta e "mitigar pressões inflacionárias", como assinalado no texto, mas Mesquita avalia que seu efeito imediato continua sendo sobre a demanda. Ou seja, é como se, no curto prazo, os investimentos ainda estivessem simplesmente aumentando a demanda por bens de capital e serviços, levando algum tempo para também elevar a capacidade produtiva.

De acordo com o BC, a demanda agregada deve continuar crescendo em 2008, até porque parcela significativa dos efeitos dos cortes na taxa de juros (interrompidos em setembro) ainda não se refletiu sobre a atividade econômica. "Ainda há substancial estímulo monetário para atuar sobre a economia brasileira", disse Mesquita.

Entre as várias fontes de estímulo à demanda agregada que devem se manter em 2008, o BC destaca os impulsos fiscais, decorrentes de aumento de investimentos ou de redução da receita como no caso da CPMF. "Ainda é cedo para se avaliar possíveis conseqüências da não-prorrogação da CPMF sobre a demanda agregada, pois estas dependem de desdobramentos futuros da política fiscal", diz o texto, referindo-se às dúvidas de como o governo vai se ajustar ao novo cenário - reduzindo gastos, reduzindo o superávit, aumentando os tributos ou um mix disso tudo.

O relatório também registra as incertezas sobre o cenário internacional, como o risco de aumento dos preços de petróleo e de algumas matérias-primas e de desaceleração mais acentuada da economia americana. Em pelo menos um aspecto, entretanto, a retração da economia mundial poderia ajudar a reduzir as pressões de demanda, via redução das exportações. Isso, porém, prejudicaria a balança comercial. "Ainda não sabemos a profundidade do mergulho da economia americana, se será suave ou abrupto", afirmou Mesquita.
 
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