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05.01.2008 imprimir Imprimir
 

Musharraf nega envolvimento do governo na morte de Benazir

Islamabad  - O presidente paquistanês, Pervez Musharraf, admitiu na quinta-feira deficiências nas investigações do governo sobre a morte da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, mas negou que a polícia tenha cometido falhas, questionando por que a líder oposicionista pôs a cabeça para fora de seu veículo mesmo sabendo das ameaças feitas contra ela.

Em uma entrevista a jornalistas estrangeiros, Musharraf negou com veemência que o Exército ou as agências de inteligência do Paquistão estejam por trás da morte de Benazir, alegando que eles também são alvo da onda de atentados suicidas que já deixou 400 mortos em três meses. O presidente atribuiu a onda de violência a dois líderes militantes taleban ligados à Al-Qaeda.

Musharraf reconheceu que está buscando ajuda da Scotland Yard, em parte para assegurar aos paquistaneses e à comunidade internacional que não houve envolvimento do governo na morte de Benazir. Semanas antes de morrer, a ex-premiê havia acusado membros do serviço de inteligência de planejar assassiná-la. A França ofereceu quinta sua ajuda nas investigações e o Partido Popular do Paquistão (PPP), de Benazir, prepara um pedido para que a ONU abra um inquérito internacional.

O governo diz que Benazir morreu por causa dos ferimentos sofridos ao bater na alavanca do teto solar do veículo em que estava, mas membros do opositor PPP dizem que ela foi morta a tiros. Um suicida disparou na quinta-feira passada contra o veículo de Benazir e em seguida detonou uma bomba após a ex-premiê discursar em um comício na cidade de Rawalpindi. O atentado provocou distúrbios que deixaram quase 60 mortos em todo o país e prejuízos de US$ 1,3 bilhão na Província de Sindh, a mais afetada.

A morte de Benazir e os distúrbios também levaram ao adiamento, por seis semanas, das eleições parlamentares - remarcadas para 18 de fevereiro. Elas são consideradas cruciais para a restauração da democracia no país, após oito anos de governo militar de Musharraf.

Os principais partidos de oposição acusaram quinta o governo de ter forçado a Comissão Eleitoral a adiar as eleições. Mas o órgão negou ter sido pressionado e disse que a decisão foi tomada por causa da destruição de centros de votação em várias localidades.

O adiamento das eleições foi recebido com desagrado pela maioria dos partidos políticos. Eles consideraram que a medida só beneficiará o partido de Musharraf.

 
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