Ingresso de dólares no Brasil é o maior em 25 anos
Brasília - O Brasil nunca recebeu tantos dólares como em 2007. Dados divulgados quinta pelo Banco Central (BC) mostram que o ingresso de recursos mais que dobrou em relação a 2006 e atingiu US$ 87,454 bilhões no ano passado. O resultado é o maior da série histórica iniciada em 1982. O saldo da balança comercial e a aplicação recorde de investidores estrangeiros na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) explicam o número. Analistas afirmam, porém, que a entrada de dólares deve ser menor em 2008.
O resultado de 2007 foi 134,64% maior que o registrado no ano anterior. Esse salto foi garantido principalmente pelas operações ligadas ao comércio exterior, que contribuíram com US$ 76,746 bilhões. O chamado fluxo financeiro, porém, adicionou outros US$ 10,708 bilhões na conta. O total de dólares que ingressou pelas exportações cresceu 33,24%, mas o que chamou a atenção dos analistas foi o resultado financeiro, onde estão englobadas aplicações no mercado financeiro e de capitais, que terminou positivo pela primeira vez desde 2000. "O fluxo financeiro foi surpreendente. Tradicionalmente, esse número é negativo, mas a entrada de estrangeiros na Bovespa via lançamento de ações explica a mudança de sinal", diz o superintendente do Banco Banif, Rodrigo Trotta.
Os dados do BC confirmam a avaliação do especialista. No fluxo financeiro, apenas os meses de junho e julho contribuíram positivamente com US$ 13,2 bilhões. O forte volume coincide com a série de 24 lançamentos de ações na Bolsa naqueles dois meses. Mas o recorde não deve se repetir em 2008. Para Trotta, é provável que o fluxo cambial do ano termine em nível menor, com contribuição inferior da balança comercial e possibilidade de saldo negativo na conta financeira. "Devemos voltar à normalidade em 2008. Não há espaço para a repetição dos números. Na conta financeira, devemos ter números negativos ao final do ano ou, se ficar com saldo positivo, dificilmente será na magnitude de 2007", disse.
O gerente de câmbio da Fair Corretora, José Roberto Carreira, reforça a avaliação de que o fluxo cambial será mais fraco. "O próprio governo já trabalha com a possibilidade de um saldo comercial menor. Isso vai trazer conseqüências para as contas, com menor ingresso", disse.
O BC também divulgou quinta que os bancos reforçaram a posição "comprada" no mercado cambial. Isso quer dizer que as instituições aumentaram a aposta de que o dólar deve subir no futuro. Segundo o BC, bancos mantinham US$ 7,331 bilhões em contratos de compra de dólar ao final de dezembro. O valor é quase duas vezes superior à posição de novembro, que somava US$ 3,804 bilhões. |